Boisselier, que acompanha em sua visita ao Brasil o fundador do Movimento Raeliano Internacional, o francês Claude Vorilhon ou "Rael", acrescentou que apesar de a empresa receber pedidos para que a clínica seja construída nos Estados Unidos, Canadá e México, o Brasil foi escolhido pelo "grande apoio" que receberam neste país.
Rael, que veste roupas brancas impecáveis que o fazem parecer um ser de outro planeta e se faz chamar de "Vossa Santidade", convocou a imprensa para apresentar a edição em português de seu livro "Sim, Clonagem Humana", mas nem ele nem Boisselier apresentaram provas da existência de algum dos cinco bebês que a Clonaid diz ter copiado. "As provas chegarão no momento certo", disse Rael, que acrescentou que o assunto é tratado com "discrição" por respeito aos pais dos cinco bebês.
Rael, nascido na França em 1946, fundou seu movimento em 1973, após ter entrado em contato com os "Elohim", homens que dizem ter vindo do céu e criaram a humanidade com sua ciência avançada. "O problema é de quem não acredita na clonagem de seres humanos. Há pessoas que não crêem que o homem foi à lua", disse.
Boisselier afirmou que Eva, que seria o primeiro bebê clonado por sua empresa, no fim do ano passado, vive em Israel com seus pais, e os outros quatro estão na Holanda, Japão, Arábia Saudita e em um país da América do Norte. A presidente da Clonaid antecipou que em breve serão apresentados no Brasil os pais do bebê japonês clonado, e exibiu como prova de sua existência uma fotografia de um recém-nascido em uma incubadora, sem nada que indique se tratar de um ser especial.
Ao ser perguntada sobre os riscos da clonagem, como ocorreu com a ovelha "Dolly", que foi sacrificada aos seis anos de idade porque apresentava diversas anomalias, Boisselier alegou que "Dolly" era um animal normal e que simplesmente "a mataram para fazer crer que a experiência da clonagem não tinha sido bem-sucedida".
Em uma apresentação carregada de críticas à Igreja católica, ao presidente americano, George Bush, e aos meios de comunicação, Rael definiu sua seita como uma "religião atéia" porque só acredita na ciência. "A ciência é o amor e a política é a morte", disse Rael, que apesar de seu estreito contato com Boisselier se empenhou em mostrar que os raelianos não fazem clonagens de seres humanos, tarefa da qual se encarrega a Clonaid, empresa com a qual disse não ter nenhum vínculo. "A doutora Boisselier é uma raeliana que tem sua companhia de clonagem humana e simplesmente lhe damos apoio", declarou o líder, que enfatizou que não sabe onde funciona a empresa nem quem são os demais donos.
Rael, Boisselier e um séquito de seguidores irão permanecer no Brasil esta semana, e na próxima quinta-feira estarão em Porto Alegre para dar uma conferência na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

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