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 Após fraude em clone, cientista é acusado de corrupção
05 de fevereiro de 2006 11h28 atualizado às 11h55

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O polêmico cientista sul-coreano Hwang Woo-suk enfrenta agora a acusação de apropriação indébita dos fundos públicos destinados a subvencionar as investigações sobre células-tronco cujos dados falsificou. A Comissão governamental de Auditoria e Inspeção que investiga Hwang determinou que o professor, considerado até sua queda como o pai da clonagem sul-coreana, se apropriou ilegalmente de grandes quantias de fundos do Estado e doações públicas para suas fraudulentas experiências, assinalaram hoje fontes desse organismo.

Um representante da Comissão, citado pela agência de notícias Yonhap, disse que esta instituição inspetora pretende anunciar os resultados de suas investigações sobre Hwang amanhã, antes de entregar o caso à Promotoria.

A informação aponta que Hwang poderia ter desviado mais de US$ 20 milhões de fundos estatais e civis doados para suas pesquisas, cujos dados foram manipulados num escândalo que abalou até os alicerces do mundo científico da Coréia do Sul.

Fraude em clonagem
Estas novas acusações afetam ainda mais a reputação de Hwang, que era herói da ciência sul-coreana e referência mundial das pesquisas sobre células-tronco de embriões humanos clonados. Ele é investigado pela falsificação de estudos sobre células-tronco publicados em 2004 e 2005 pela prestigiada revista americana Science, que divulgou sem suspeitas uma das maiores fraudes científicas das últimas décadas.

Em 2004, o doutor em veterinária disse ter obtido células-tronco de embriões humanos clonados. Um ano depois, Hwang se atribuiu a obtenção de 11 células-tronco específicas, procedentes de embriões humanos clonados a partir de pacientes doentes, descobrimento que, caso fosse verdade, teria aberto as portas para a cura de doenças como o diabete e o alzheimer.

No entanto, um comitê de pesquisa do centro que trabalhava para Hwang, a Universidade Nacional de Seul, determinou que nunca existiram essas células-tronco obtidas a partir de pacientes específicos. A Promotoria também investiga Hwang por sua suposta obtenção ilegal dos óvulos humanos sobre os quais foram realizadas suas experiências.

Na semana que vem, uma equipe de promotores pretende interrogar Kim Sun-jong, um dos principais colaboradores da equipe de Hwang, e o professor Yoon Hyun-soo, da Universidade de Hanyang e colega do cientista. Hwang disse que esta falsificação foi produto do erro de um de seus colaboradores, que teria mudado as células-tronco originadas nas experiências por óvulos fertilizados in vitro do hospital MizMedi de Seul, clínica de fertilidade que ajudava o cientista em seus experimentos.

O representante da Comissão de Auditoria e Inspeção explicou que até o momento não conseguiu provar que Hwang desviou os fundos públicos para seu uso pessoal, mas confirmou que houve graves problemas no manejo desse dinheiro.

A Comissão, ressaltou o porta-voz, "entregará à Promotoria todos os dados sobre os problemas detectados nesta inspeção e permitirá que os agentes fiscais dêem seu veredicto sobre o suposto uso ilegal de fundos públicos por Hwang".

Outras fontes da Comissão de Auditoria e Inspeção disseram que existem suspeitas fundamentadas de que Hwang guardou a maior parte dos US$ 20 milhões em sua conta bancária pessoal. Ao mesmo tempo, o cientista aceitou inúmeras somas em contribuições privadas sem a aprovação do departamento estatal encarregado de decidir sua legitimidade e idoneidade.

As primeiras investigações apontam que Hwang pode ter utilizado parte desses fundos para obter apoio para suas pesquisas nas altas esferas do poder.

Um desses vínculos teria sido Park Ky-young, ex-assessora de ciência do presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, que foi obrigada a renunciar ao cargo após admitir que tinha recebido US$ 250 mil de Hwang.

Park insistiu que esse dinheiro foi um pagamento legítimo por suas pesquisas dentro dos estudos realizados pela equipe de Hwang. Enquanto a Justiça fecha o cerco em torno do cientista, seus defensores continuam expressando seu apoio, inclusive pelos meios mais radicais.

Suicídio
Ontem, um homem de 59 anos se suicidou no centro de Seul como protesto contra a investigação em andamento sobre o cientista. O suicida distribuiu alguns panfletos nos quais pedia que permitissem que Hwang retomasse suas pesquisas, antes de atear fogo ao próprio corpo perto da porta de Gwanghwamun, no centro da capital sul-coreana.

EFE
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