Um juiz do Paraguai abriu nesta quinta-feira os arquivos da Marinha do país a pesquisadores que buscarão documentos sobre a Operação Condor e outros crimes da ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989).
O juiz Arnaldo Fleitas esteve em uma instalação da Marinha, em Assunção, para iniciar essas tarefas promovidas pelo ativista Martín Almada, que em 1992 contribuiu para a descoberta dos "arquivos do terror" da polícia, onde foram encontrados documentos sobre a Operação Condor. Fleitas comentou que a inspeção será realizada depois que em 2008 a Justiça fez uma primeira revisão que foi suspensa devido à falta de recursos.
A esse respeito, Almada expressou que agora contam com uma contribuição das Nações Unidas para levar adiante a análise e a classificação dos arquivos junto com uma equipe de pesquisa. O início dessas tarefas contou com a presença do ministro da Defesa, Catalino Royg, que ressaltou a predisposição do governo e das Forças Armadas para abrir ao público os arquivos militares.
A Operação Condor foi um esquema de repressão instaurado por regimes militares do Cone Sul durante as décadas de 1970 e 1980. A Comissão de Verdade e Justiça do Paraguai documentou em um relatório divulgado em agosto de 2008 que 425 pessoas foram executadas ou desapareceram e quase 20 mil foram detidas nos quase 35 anos de ditadura de Stroessner.

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