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 FAO: agricultura deve se comprometer com o planeta na Rio+20
24 de janeiro de 2012 19h33 atualizado às 22h51

A agricultura tem que se comprometer com o planeta e participar ativamente da próxima cúpula de Desenvolvimento Sustentável ''Rio+20'', que será celebrada em junho no Rio de Janeiro, afirmou nesta terça-feira o diretor-geral da FAO, José Graziano, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

"Os ministros da Agricultura - de todo o mundo - têm que estar presentes na Rio+20 para que efetivamente a produção se comprometa a limpar o planeta", disse o chefe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

"A agricultura não é só parte do problema, como também é parte da solução da questão ambiental, tem muito a aportar para o desenvolvimento sustentável do planeta, encontrando técnicas menos agressivas ao meio ambiente, ajudando com energia limpa, redistribuindo melhor a produção", afirmou.

"A agricultura contribui com 30% dos gases de efeito estufa - que causam o aquecimento global - e é necessário conscientizar nossos agricultores", lembrou.

Mas nas mãos da agricultura também está a solução para a grande prioridade do planeta, que é erradicar a fome. A Rio+20, quarta grande cúpula de desenvolvimento sustentável da história desde 1972, deve reunir em junho, no Rio de Janeiro, os chefes de Estado de todo o mundo, convidados a se comprometer com uma "economia verde" e social, dando prioridade à erradicação da fome.

O Fórum Social Mundial, maior evento antineoliberal do planeta que reúne milhares de ativistas do mundo todo, foi convocado precisamente para definir as posições dos movimentos e organizações sociais ante a Rio+20.

Graziano, que assumiu o comando da FAO no começo de janeiro e participava do primeiro evento em seu país, falou durante um evento organizado pelo governo local, horas antes da marcha que dará início às atividades do Fórum Social, que se estenderá até o domingo.

O diretor da organização se comprometeu no Fórum a abrir a FAO à participação da sociedade civil. "A FAO tem que abrir as portas para a sociedade. Estamos tentando criar espaços de interlocução com a sociedade para quebrar o monopólio de interlocução com os governos, de alguns governos específicos, como acontecia nos últimos anos", afirmou.

Os movimentos sociais não buscam a utopia, mas a realidade, afirmou: "utopia é pensar que existe solução à margem da sociedade, que existe desenvolvimento sustentável sem segurança alimentar, que podemos viver em paz com quase 1 bilhão de famintos no mundo", advertiu.

Graziano criticou "a roleta" das cotações das commodities internacionais. "A produção agrícola" no mundo terá que "quintuplicar", disse, embora 90% deste aumento de produção possa ser alcançado com melhor produtividade e não às custas do meio ambiente, afirmou. Graziano também criticou "um padrão de consumo que desperdiça um terço dos alimentos produzidos todos os anos".

Graziano, que no passado participou ativamente dos programas de luta contra a fome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), convocou o país, hoje a sexta economia do planeta, a "assumir a responsabilidade internacional" na luta contra a fome com uma "nova forma de cooperação internacional", mais respeitosa com o sul.

AFP
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