A cúpula sobre desenvolvimento sustentável das Nações Unidas Rio+20 deverá se concentrar em reformular a economia mundial para "gerir melhor o planeta", afirmou em entrevista à AFP o chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, durante a Conferência das Partes (COP-17) sobre Mudanças Climáticas em Durban, África do Sul.
"O Rio ajudará o mundo a olhar para as mudanças climáticas em um contexto mais amplo de transformações que precisamos na nossa economia global", disse Steiner. "Estamos caminhando para um mundo de 9 bilhões de pessoas que enfrentará fome e insegurança climática, choque econômico, desemprego", afirmou.
A cúpula Rio+20, que será celebrada no Rio de Janeiro entre 20 e 22 de junho do ano que vem, acontecerá 20 anos depois da Cúpula da Terra, em 1992, conferência que deu origem às convenções da ONU para proteger a biodiversidade e enfrentar o aquecimento global. Steiner pediu aos líderes que reconsiderem a forma como definem o crescimento econômico porque, afirmou, a dinâmica atual está levando o planeta a uma situação limite.
"Precisamos de um novo indicador de riqueza. O crescimento do PIB é muito bruto, sujeito a interpretações. Foi útil enquanto o mundo tinha muitos recursos. Mas o mundo chegou ao ponto em que tem que otimizar como administra o planeta", disse o chefe do Pnuma. Uma forma de ver o problema é esta: começando na década de 1970, a humanidade pediu mais do que o planeta podia fornecer. Os 7 bilhões de habitantes da Terra usam mais água, derrubam mais florestas e comem mais peixe do que a natureza pode prover.
Ao mesmo tempo, estamos emitindo mais dióxido de carbono (CO2), liberando mais contaminantes e fertilizantes químicos do que a atmosfera, o solo e os oceanos podem absorver sem afetar os ecossistemas dos quais dependemos. "A Rio+20 tem a ver com o futuro das nossas economias, respondendo a esta pergunta: quão sustentáveis serão nossas sociedades se não abordarmos estas questões com mais clareza?", questionou.

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