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 Tremor do tsunami foi o mais longo já registrado
20 de maio de 2005 09h38 atualizado às 09h38

O terremoto que provocou o tsunami que devastou o Sudeste asiático, causou a maior ruptura no fundo do oceano e teve a maior duração já observada, revelou um novo registro da tragédia ocorrida em 26 de dezembro de 2004. O terremoto liberou energia equivalente a uma bomba de 100 gigatons (um terremoto de 8 graus na escala Richter libera aproximadamente 1 gigaton de energia). Os dados são de um grupo internacional de sismólogos, publicados no jornal Science.

O terremoto, considerado o mais forte dos últimos 40 anos, causou uma fenda de 1,3 mil quilômetros no fundo do oceano e durou cerca de 10 minutos. ¿Normalmente, um pequeno terremoto dura menos que um segundo, um moderado, alguns segundos. Este tremor durou entre 500 e 600 segundos¿, disse Charles Ammon, professor associado de geociência da Universidade de Penn State .

Segundo os sismólogos, o terremoto causou choque no solo de toda a Terra. Semanas depois, o planeta ainda estava tremendo em conseqüência do tremor. Estruturas rochosas de até 20 metros foram deslocadas pelo tremor.

O terremoto de dezembro, que atingiu as costas de vários países do oceano Índico, matando mais de 200 mil pessoas, foi o primeiro dessa magnitude a ser registrado e estudado a partir dos novos instrumentos digitais disponíveis.

Segundo Jeffrey Park, do Departamento de Geologia e Geofísica da Universidade de Yale, as oscilações permitiram aos cientistas estudar as características do terremoto, assim como as da própria Terra. "É como quando batemos em uma melancia para ver se está madura.Os tons naturais produzidos pelo terremoto nos sismógrafos nos ajudam a detectar as propriedades do manto e do núcleo terrestres", explicou Park.

Park acrescentou que agora, com dados mais precisos, o terremoto de dezembro poderia ajudar a resolver várias controvérsias sobre as placas tectônicas sob a crosta da África, ou se os cristais microscópicos de ferro puro do interior se alinham com seu eixo de rotação. Segundo o cientista, "os danos terríveis e a perda de vidas provocados por este terremoto apequenam o observador mais frio, como ocorre com a forte probabilidade de que um ou mais terremotos (similares) ocorram neste século".

Os cientistas do Instituto Wadia de Geologia do Himalaia e do Instituto Geológico dos EUA informaram que o terremoto foi muito mais violento e lento do que se achava. Mediante dados proporcionados pelas estações do Sistema de Posicionamento Global (GPS), os cientistas determinaram que a magnitude foi de 9,15 graus na escala Richter e não de 9,0, como acreditava-se até agora. Além disso, grande parte do movimento ocorrido na falha do tremor continuou durante um tempo que oscila entre os 30 minutos e as três horas após o primeiro abalo.

Redação Terra