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 Pesquisador: nova forma de vida é "ET" vivendo entre nós
02 de dezembro de 2010 18h21 atualizado às 19h37

Astrônomo explica descoberta de vida feita pela Nasa

A Nasa - a agência espacial americana - divulgou, em coletiva na tarde desta quinta-feira, a descoberta de um organismo diferente de todos os conhecidos anteriormente vivendo na Terra. A descoberta expandirá a procura de vida em outros planetas. A nova forma de vida teria origem distinta do ancestral comum que gerou a vida no nosso planeta.

Segundo Douglas Galante, coordenador do Laboratório de Astrobiologia do Hemisfério Sul, o AstroLab, na Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao Terra, a descrição dessa bactéria "é de um 'ET' vivendo entre nós, porque possui um metabolismo diferente de todos os organismos da Terra". Para Galante, "é só a pontinha do iceberg da quantidade de organismos que não conhecemos e que são diferentes de tudo já conhecido".

O estudo foi realizado por Felicia Wolfe-Simon, cientista da Nasa. O organismo descoberto em lago tóxico na Califórnia, nos Estados Unidos, é capaz de usar arsênio ao invés de fósforo em seu metabolismo - todas as formas de vida do planeta, do menor micro-organismo ao maior animal, são capazes de metabolizar com seis componentes - carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre (chamados pela sigla CHONPS). O novo organismo substitui o fósforo por arsênio, que é extremamente venenoso ao humano.

Para Galante, a descoberta "nos força a expandir os conceitos sobre o que é vida". "Agora, sabemos que existem outros organismos que podem usar outros elementos", completou. Galante explica que o arsênio, em humanos, pode ser confundido pelas células, a impedindo de respirar, o que a mata por falta de energia, por necrose. O fósforo está presente em diversas moléculas no interior da célula - forma a estrutura do DNA, é a molécula base do ATP (transporte de energia)-, e faz parte do transporte de proteína e lipídios. O arsênio se parece com o fósforo, tendo o tamanho de átomo parecido, por exemplo, o que faz as células se confundirem.

A forma de vida descoberta possui metabolismo completamente diferente, incorporando o arsênio em suas moléculas mais baixas. É o primeiro organismo que pode construir material genético diferente do DNA. Pode ser visto, segundo Galante, ou como um "ET entre nós" ou como "um primo muito distante".

O lago em que o organismo foi descoberto está isolado do oceano, com os sais ficando depositados nele. Assim, os elementos se concentram com a evaporação do lago, e a salinidade e seu PH aumentam. Hoje, a salinidade desse lago é, em média, 3 vezes maior que dos oceanos, e o PH é 10 - o humano varia entre 6 e 7. A quantidade de oxigênio dissolvida na água é baixa. Mas já se sabia de organismos que conseguem sobreviver nesse lago - algumas algas, por exemplo. São organismos conhecidos como "extremófilos", por viver em situações extremas.

Galante acredita que a prioridade deva ser a continuação da procura na Terra. Para ele, menos de 1% da biodiversidade terrestre é conhecida. Ele conta que o financiamento para novas pesquisas fora da Terra devem continuar, apesar dos boatos de que o anúncio foi realizado sob grande alarde para buscar novos investidores. Para ele, a campanha de marketing funcionou muito bem, com as mídias sociais sofrendo uma "enxurrada" de comentários. "Muita gente no mundo inteiro se voltou para a coletiva", falou.

Redação Terra
  1. Descoberta também muda a maneira de pensar sobre o que são "ambientes habitáveis" no universo. Na imagem, o micro-organismo que usa arsênio no lugar de fósforo na constituição de seu DNA

    Foto: Nasa/Reprodução

  2. A nova forma de vida substitui fósforo por arsênio em seu metabolismo

    Foto: Nasa/Reprodução

  3. O brasileiro Douglas Galante, coordenador do Laboratório de Astrobiologia da USP acredita que, no Brasil, ambientes vistos como "inabitáveis" também merecem estudo mais detalhado

    Getty Images
    Foto: Getty Images

  4. Para pesquisadores, descoberta expande o horizonte de possibilidades de busca de vida fora da Terra

    Foto: Divulgação

  5. O arsênio é uma substância que, dentro do corpo humano, pode matar todas as células. No entanto, ela faz parte da constituição do DNA deste micro-organismo

    Getty Images
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  6. Nasa afirmou que descoberta é somente um ponta-pé para uma série de dicussões e expansão da maneira como o espaço era explorado até então

    Foto: Nasa/Divulgação

  7. Um time de quatro pesquisadores, liderados por Felisa Wolfe-Simon (à esq.), que descobriu o micro-organismo, liderou a coletiva de impresa da Nasa nesta sexta-feira, às 17h

    Foto: Divulgação

  8. Para Nasa, forma de vida encontrada significa uma descoberta impactante na busca por vida extraterrestre

    Getty Images
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  9. Site holandês havia especulado, horas antes do anúncio oficial da Nasa, sobre descoberta de micro-organismo no Mono Lake, na Califórnia

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  10. Segundo pesquisadores, público pode ter se frustrado por Nasa não apresentar um "ET", como na ficcção científica

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  11. Na imagem, a pesquisadora Felisa Wolfe-Simon trabalha com lama do Mono Lake para estudar o micro-organismo

    Foto: Nasa/Divulgação

  12. A descoberta, no entanto, é um enorme passo para a comunidade científica, sendo categorizada como "fenomenal" pelos pesquisadores

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  13. O grupo de quatro pesquisadores comentou que o mais importante, a partir de agora, é procurar por mais "exceções" de vida no universo

    AFP
    Foto: AFP

  14. Felise e mais dois pesquisadores procuravam por evidências de que organismos vivos pudessem ser constituídos por outros elementos químicos no lugar do fósforo

    AFP
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  15. Felise comentou, no entanto, que a pesquisa se encontra em um estágio muito inicial e que é impossível tirar grandes conclusões neste momento sobre a vida no universo

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  16. Bem humorada, pesquisadora Felise Wolfe-Simon brincou ao afirmar que as escolas precisarão mudar seus livros didáticos a partir de hoje

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  17. A descoberta de Felise abre uma nova perspectiva sobre o que é necessário para a constituição de vida dentro e fora do planeta Terra

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  18. Na imagem, pesquisadores recolhem do lago tóxico Mono, na Califórnia, ainda na fase de estudos sobre a possibilidade da descoberta de vida dentro do arsênio

    AFP
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  19. Na imagem, a microfotografia mostra, aplificadamente, o micro-organismo que possui o elemento até então considerado tóxico para a vida, o arsênio, dentro do seu DNA

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