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 Cientistas descobrem 1.200 novas espécies na Amazônia em 10 anos
26 de outubro de 2010 00h44 atualizado às 12h16

'Rã marciana' está entre as novas espécie descobertas na última década. Foto: EFE

'Rã marciana' está entre as novas espécie descobertas na última década
Foto: EFE

O homem ainda desconhece grande parte da riqueza do ecossistema da Amazônia, tal como aponta um estudo da organização World Wildlife Fund (WWF) publicado nesta segunda-feira, que revela que nos últimos dez anos foram descobertas 1.200 novas espécies, uma a cada três dias. "Mais uma vez se mostra a extraordinária exuberância em biodiversidade de uma região fundamental para o planeta", assinalou em declarações à Efe Francisco Ruiz, chefe da Iniciativa Amazônia Viva, da WWF.

"Os números são contundentes e significa que ainda hoje continuamos descobrindo novas espécies", disse Ruiz, quem enfatizou a importância de cuidar da Amazônia antes de a ação do homem impedir que novas espécies sejam descobertas. Os governos, as ONGs, os cientistas e a sociedade civil "têm de redobrar esforços" para conservar a Amazônia, "já que algumas dessas plantas poderiam ter aplicação farmacológica" e "estamos pondo em perigo espécies", advertiu.

No total, no relatório 'Amazônia Viva!: Uma década de descobertas 1999-2009' se incluem 637 plantas, 257 peixes, 216 anfíbios, 55 répteis, 16 aves e 39 mamíferos, até agora não detectadas, embora algumas possam ter origens pré-históricas.

'Formiga marciana'
Entre elas está a Martialis heureka, apelidada de 'formiga marciana', por sua combinação de características jamais registradas. Trata-se de um surpreendente exemplar depredador e cego, de dois a três milímetros de comprimento, cor branca, sem olhos, mas com grandes mandíbulas.

Descoberta no Brasil em 2008, a espécie pertence ao primeiro gênero novo de formigas vivas descoberto desde 1923. Segundo seu descobridor, o cientista Christian Rabeling, a 'formiga marciana' poderia descender de uma das primeiras formigas que evoluiu na Terra, há mais de 120 milhões de anos.

A interação entre homem e meio ambiente levou os moradores do município de Rio Pardo (Rio Grande do Sul) a descobrirem, por acaso, o peixe Phreatobius dracunculus quando perfuravam um poço e encontraram vários espécimes nos baldes em que extraíam água. Desde então, esta espécie que vive principalmente em águas subterrâneas foi visto em outros poços, a maioria deles em Rondônia.

Por seu colorido, destaca-se entre as espécies recém-descobertas o papagaio-de-cabeça-laranja (Pyrilia aurantiocephala), achado em localidades dos rios Madeira e Tapajós, que foi registrado como "quase ameaçado" porque sua população, que já é pequena, está diminuindo com a destruição de seu habitat. Entre as novidades está também a Telmatobius sibiricus, uma rã camaleônica.

Bioma ameaçado
Como bioma, a Amazônia abrange 6,7 milhões de quilômetros quadrados, o que representa 45% da superfície continental da América do Sul e mais de 1,5 vezes a Europa, explica Ruiz. No entanto, a maior parte da região continua sem ser explorada.

A WWF adverte que, nos últimos 50 anos, o homem provocou a destruição de 17% da área de floresta tropical na Amazônia, um espaço maior que a Venezuela ou duas vezes o tamanho da Espanha. A organização aponta o rápido crescimento da demanda de carne, soja e biocombustível como uma das principais causas desta transformação, já que "80% das áreas desmatadas são ocupadas por pastos para gado".

Dado o nível de desenvolvimento de alguns países, a WWF destaca a necessidade de avançar na definição de áreas protegidas, além de parques naturais e reservas, que permitam a conservação do meio ambiente. "Reconheçamos a extraordinária riqueza que está em nossas mãos e que está em risco, caso não aumentemos nossos esforços para sua conservação", conclui a ONG.

EFE
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  1. Entre as novas espécies descobertas na Amazônia que tiveram imagens divulgadas nesta terça, pela WWF, está a Phreatobius dracunculus, pequena espécie cega e brilhante de bagre que vive em águas subterrâneas. A espécie foi encontrada em Rondônia

    AFP
    Foto: Janice Muriel Cunha/AFP

  2. Entre os animais das fotos divulgadas pela WWF, talvez este sapo (Ranitomeya amazonica) seja o mais bonito, com manchas que lembram chamas em sua cabeça e manchas de cor azulada brilhante pelo corpo e patas. Seu habitat é em Iquito, no Peru

    AFP
    Foto: Lars K./AFP

  3. No primeiro caso de espécie de anaconda encontrada desde 1936, a Eunectes benienses foi vista na região amazônica no nordeste da Bolívia e também nas várzeas bolivianas da região de Pando. Ela tem 4 metros de comprimento e acreditava-se que fosse fruto da relação entre anacondas amarelas e verdes - ou seja, um híbrido. Porém, foi determinado que é, sim uma espécie única

    AFP
    Foto: Jose Maria Fernandez /AFP

  4. O golfinho Inia boliviensis recebeu este nome científico em 2006, quando evidências provaram que se tratava de uma espécie separada do Inia geoffrensis. Ele vive na região boliviana da Amazônia. Possui mais dentes do que os golfinhos da outra espécie comparada, cabeças menores e corpo menor porém mais largo e arredondado

    AFP
    Foto: Fernando Trujillo/AFP

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