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 Doações a fundo mundial contra aids são insuficientes, diz organismo
05 de outubro de 2010 21h21 atualizado em 06 de outubro de 2010 às 01h25

Os países doadores prometeram nessa terça-feira fornecer US$ 11,6 bilhões ao Fundo Mundial contra a aids, a tuberculose e a malária durante o período 2011-2013, valor considerado insuficiente para cumprir as metas de saúde dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

O organismo ressaltou que as novas contribuições anunciadas na conclusão de uma conferência de doadores em Nova York representam um aumento de 20% em relação ao período anterior, mas ainda estão abaixo de suas expectativas.

Mais de 40 países e a Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), além de organizações religiosas, fundações privadas e grandes empresas participaram do encontro de dois dias.

"Em época de crise e cortes orçamentários, conseguir um aumento de 20% é uma conquista. É uma prova do compromisso com o fundo", disse o diretor-executivo do Fundo Mundial, Michel Kazatchkine.

O diretor também destacou que os fundos prometidos "não serão suficientes" para atingir as metas dos ODM em 2015. O Fundo Mundial havia calculado que precisaria de pelo menos US$ 17 bilhões para poder ampliar seus programas de assistência nos próximos três anos e se tornar mais eficaz na luta pela erradicação das três doenças.

Kazatchkine afirmou que a principal razão para as doações não serem suficientes são os ajustes orçamentários que vários países tiveram que fazer, mas ressaltou que "os cortes são uma decisão política para prioridades em tempos difíceis".

Os Estados Unidos anunciaram uma doação de US$ 4 bilhões, enquanto países como Austrália, Alemanha e França aumentaram consideravelmente suas contribuições em relação ao triênio anterior.

No entanto, em geral, as contribuições foram ligeiramente superiores às do período anterior, de acordo com o organismo. Em seu discurso na reunião, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou que o trabalho do Fundo Mundial "é uma das maiores histórias de sucesso do século XXI", pois se estima que salvou a vida de 5,7 milhões de pessoas.

O secretário-geral afirmou que com o dinheiro dos doadores foi possível tratar 5,7 milhões de pessoas com aids e 7 milhões com tuberculose, enquanto 122 milhões de mosquiteiros foram distribuídos para prevenir a malária.

"Estamos a caminho de erradicar a malária em 2015, o que seria uma grande vitória similar à da luta contra a poliomielite e a varíola. Mas temos que acabar de vez com as três doenças", disse.

Apesar dos avanços, Ban salientou que 4,5 mil pessoas ainda morrem a cada dia por conta da tuberculose, enquanto a cada 45 segundos a malária mata um menor, e para cada duas pessoas que têm aids que conseguem ter acesso ao tratamento, outras cinco contraem o HIV.

O comissário de Desenvolvimento da UE, Andris Piebalgs, concordou com Ban que a recente cúpula dos ODM mostrou a necessidade de manter o progresso nas metas relacionadas à saúde.

"O Fundo Mundial conseguiu dar um grande passo adiante nestes assuntos", disse Piebalgs, que na reunião de doadores anunciou que a contribuição da comissão ao organismo aumentará em 10%, de modo que o total chegará a cerca de US$ 452 milhões.

O comissário também declarou que 55% do dinheiro que o Fundo Mundial administra procede das doações dos países-membros da UE, o que na demonstra o seu compromisso com a erradicação destas doenças.

Piebalgs acrescentou que as contribuições anunciadas pelos doadores estão abaixo das expectativas, mas acredita que elas possam ser revisadas à medida que o contexto econômico melhore.

Por sua vez, Kazatchkine acredita que o resultado da reunião não reflete "uma falta de compromisso com o desenvolvimento, a saúde global e a luta contra as doenças", já que os países que participaram à cúpula dos ODM expressaram repetidamente sua satisfação com o trabalho do fundo.

O diretor-executivo do Fundo Mundial completou lembrando que o fato de a organização contar com menos dinheiro que o esperado os obrigará a "adotar a difícil decisão de não financiar novas iniciativas".

Desde sua criação em 2002, o Fundo Mundial destinou US$ 19,3 bilhões a 572 iniciativas em 144 países.

EFE
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