Uma usina para transformar o lixo da cidade do Rio de Janeiro (segunda maior do País) em energia elétrica. Esta é a proposta que começou a ser elaborada pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), segundo anunciou nesta terça-feira, 17 de agosto, o coordenador técnico do projeto e pesquisador do Coppe, Luciano Basto, durante a assinatura do convênio entre o instituto e a Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb).
A partir do acordo, pesquisadores das duas instituições analisarão a viabilidade técnica e ambiental da instalação de uma unidade de tratamento no bairro do Caju, na Zona Portuária da cidade, por onde passa metade do lixo produzido pelos cidadãos fluminenses.
Luciano Basto acredita que o estudo baseado no cálculo de custos e identificação de tecnologia seja entregue à prefeitura do Rio até o mês de outubro. "O investimento pode ser até mais caro do que as tradicionais soluções para destinação de lixo e oferta de eletricidade. Mas como lixo é um combustível a custo negativo, pelo qual a sociedade paga para se livrar do problema, e o tratamento energético do lixo evitaria emissões de gases de efeito estufa, essas receitas adicionais podem ser contabilizadas como benefícios para esse tipo de aproveitamento energético¿, Luciano Basto.
Basto afirmou ainda que o aproveitamento energético seria de 100%, considerando que a usina será instalada dentro da cidade, diferente, segundo ele, das hidrelétricas que atendem 80% da matriz energética do país. Por estarem distantes dos grandes centros urbanos, as hidrelétricas registram perda de cerca de 15% da eletricidade gerada.
Atualmente, o Rio de Janeiro produz 9 mil toneladas de lixo por dia. Os detritos são encaminhados a três estações de transferência da cidade: Caju (Zona Portuária), Irajá (Zona Norte) e Jacarepaguá (Zona Oeste). Dessas estações, o lixo é transportado para dois aterros sanitários.
A usina na estação do Caju, que recebe o maior volume de detritos da cidade, poderia chegar a 500 megawatts de potência instalada. Pelos cálculos do Coppe, a transformação de 9 mil toneladas de lixo em energia seria suficiente para abastecer 1,5 milhão de residências, com consumo médio de 200 quilowatt-hora por mês.
A presidente da Comlurb, Ângela Nóbrega Fonte, garantiu que a empresa fornecerá todo o material para os estudos e espera abrir o processo de licitação para a construção da usina em seis meses. "Além do que já temos feito no aterro sanitário de Gramacho, minimizando a emissão de gases de efeito estufa, e em Seropédica, onde será construído um aterro sanitário controlado com licenciamento ambiental, essa novidade é muito importante para a população. Isso vai trazer mais recursos para a cidade e o meio ambiente vai agradecer", comemorou.
Na última sexta-feira (13), teve início a construção do Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Seropédica, com tecnologia de manejo que fará com que o lixo carioca deixe de liberar na atmosfera 1,9 milhão de toneladas de gás carbônico (CO2) por ano. Com o encerramento das atividades no aterro de Gramacho previstas para 2012, os resíduos passarão a ser destinados para o novo CTR.
Os resíduos respondem atualmente por 31% das emissões de CO2 da capital carioca. Dentro deste segmento, 77% correspondem ao lixo urbano. Os dados (de 2005) são do segundo Inventário de Emissões de Gases do Efeito Estufa elaborado pela Coppe/UFRJ.

- EcoDesenvolvimento


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