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 Busca por animais perdidos tem até rã que "dá à luz" pela boca
09 de agosto de 2010 17h45

A rã incubadora engole e choca os ovos no estômago e os girinos nascem pela boca da mãe. Foto: Conservação Internacional/Divulgação

A rã "incubadora" engole e choca os ovos no estômago e os girinos nascem pela boca da mãe
Foto: Conservação Internacional/Divulgação

Equipes internacionais de cientistas começaram uma busca considerada inédita para tentar encontrar 100 espécies de anfíbios "perdidas". Os animais são considerados extintos, mas podem existir em poucos locais remotos, de acordo com a Conservação Internacional e o Grupo de Especialistas em Anfíbios da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, da sigla em inglês), que anunciaram nesta segunda-feira a expedição.

A procura começou em 14 países em cinco continentes. Segundo a Conservação, o esforço ocorre em um momento em que as populações mundiais de anfíbios sofrem declínio dramático - mais de 30% das espécies estão ameaçadas de extinção. Duas das expedições ocorrem no Brasil, para tentar encontrar a Crossodactylus grandis, vista pela última vez na década de 60, e a Cycloramphus valae (rãzinha-das-pedras). A primeira percorrerá cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro de 18 a 31 de setembro. A segunda visitará regiões de Mata Atlântica em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Segundo a organização, o objetivo do estudo é tentar entender a recente crise de extinção de anfíbios, que são importantes para o equilíbrio do meio ambiente e também para a qualidade de vida humana. Eles ajudam, por exemplo, com o controle de insetos que espalham doenças e destroem plantações agrícolas e com a manutenção de sistemas aquáticos saudáveis.

Além disso, a pele dos anfíbios contêm componentes químicos fundamentais para a criação de medicamentos. "Os anfíbios são particularmente sensíveis às mudanças no meio ambiente, por isso são geralmente um indicador do dano que tem sido causado aos ecossistemas", diz Robin Moore, da Conservação Internacional, em comunicado.

"Esse papel de 'anunciador da crise' significa que as alterações rápidas e profundas que têm ocorrido no meio ambiente nos últimos 50 anos - particularmente a mudança climática e a perda de habitat - têm tido um impacto devastador nessas criaturas. Organizamos esta procura por espécies 'perdidas' que acreditamos terem conseguido sobreviver para obtermos respostas e para saber o que permitiu a algumas pequenas populações de certas espécies sobreviverem quando o resto de sua espécie desapareceu", diz Moore.

Entre os problemas, a organização destaca um fungo patogênico que causa quitridiomicose e que foi potencializado pela perda de habitat dos animais. A doença já devastou populações inteiras de anfíbios e foi responsável até mesmo pela extinção de espécies.

Ainda de acordo com a Conservação, das 100 espécies selecionadas, Moore e sua equipe destacam 10 que, segundo eles, sua redescoberta seria "mais emocionante" para os pesquisadores (veja mais detalhes na aba "fotos" acima). "Embora reconheçamos que é muito difícil atribuir importância e priorizar uma espécie em detrimento da outra, criamos a lista das 10 principais porque acreditamos que estes animais em particular têm um valor científico ou estético especial", diz.

Redação Terra
  1. Cientistas anunciaram uma busca por 100 espécies de anfíbios consideradas extintas, mas que ainda podem existir em alguns lugares. Segundo pesquisadores, dessas 100, 10 seriam mais surpreendentes se fossem redescobertas. Entre elas, está a rá "incubadora", que será procurada na Austrália. São duas espécies - Rheobatrachus vitellinus e R. silus - vistas pela última vez em 1985. Curiosamente, as fêmeas engoliam os ovos e os chocavam no estômago - os girinos nasciam pela bo

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

  2. Nesta imagem, aparece a espécie R. silus

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

  3. O sapo dourado (Incilius periglenes) da Costa Rica foi visto pela última vez em 1989. Considerado o mais famoso anfíbio "perdido", passou de abundante a extinto em pouco mais de 1 ano

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

  4. O sapo da mesopotâmia, Rhinella rostrata, da Colômbia, foi visto pela última vez em 1914. Tem uma cabeça distinta em formato de pirâmide

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

  5. A salamandra Bolitoglossa jacksoni, da Guatemala foi vista pela última vez em 1975. A salamandra preta e amarela - uma das únicas duas espécies conhecidas nessas cores. Acredita-se que foi roubada de um laboratório na Califórnia em meados dos anos 1970

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

  6. O sapo africano Callixalus pictus da República Democrática do Congo e de Ruanda. Visto pela última vez em 1950. Muito pouco se sabe sobre esse animal

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

  7. Sapo do Rio Pescado, Atelopus balios, no Equador. Visto pela última vez em abril de 1995. Pode muito bem ter sido dizimado pelo fungo quitridiomicose

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

  8. Salamandra Hynobius turkestanicus, será buscada no Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Vista pela última vez em 1909. Conhecida pelos únicos dois espécimes coletados em 1909 em algum lugar "entre Pamir e Samarcanda"

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

  9. Sapo arlequim (Atelopus sorianoi), busca na Venezuela. Visto pela última vez em 1990. Encontrado em um único riacho em uma floresta isolada do país

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  10. Rã sem teto, Discoglossus nigriventer, Israel. Vista pela última vez em 1955. Um único adulto coletado em 1955 representa o último registro confirmado da espécie. Pode ter sido extinto pelas drenagens de pântanos na Síria que tinham como objetivo a erradicação da malária

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

  11. Sapo Ansonia latidisca, Bornéu (Indonésia e Malásia). Visto pela última vez nos anos 50. O aumento da sedimentação nos riachos após o desflorestamento pode ter contribuído para o declínio

    Foto: Conservação Internacional/Divulgação

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