Começar cedo o tratamento contra a infecção pelo HIV com antirretrovirais, antes mesmo da aparição dos sintomas, é essencial para impedir a destruição progressiva do sistema imunológico, afirma a divisão americana da Sociedade Internacional da aids (IAS, sigla em inglês).
As pesquisas da IAS/US, que revisou detalhadamente muitos dos estudos científicos sobre o tema, foram publicadas no Journal of the American Medical Association e apresentadas neste domingo, em Viena, pouco antes da abertura da 18ª Conferência Internacional sobre Aids, organizada pela IAS.
"Os avanços no tratamento antirretroviral mostraram que se pode prevenir a destruição progressiva dos sistema imunológico pela infecção com o HIV e a aids", assinalam os autores do estudo, dirigido por Melanie Thompson, do Consórcio de Pesquisas sobre aids de Atlanta, nos Estados Unidos. Em decorrência disso, é importante começar cedo o tratamento.
Para esses especialistas, não existe um "limite de infecção" abaixo do qual seria desaconselhável o início do tratamento, que deveria ser previsto quando a contagem de CD4 (as células da imunidade) está abaixo dos 500 para cada mm3 de sangue.
A taxa de CD4 para uma pessoa não infectada oscila entre 1 mil e 1,5 mil para cada mm³ de sangue. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza desde o ano passado que se comece o tratamento a partir de uma redução a 350 CD4. Durante muitos anos, recomendou o tratamento a partir de uma redução a 200 CD4.
Segundo a IAS/EDIL, o tratamento é "recomendado seja qual for a contagem de CD4" dos pacientes que já têm sintomas, das mulheres grávidas, das pessoas maiores de 60 anos, das que estão infectadas também pelo vírus da hepatite B ou C, assim como a pessoa infectada de um casal chamado serodiscordante (uma pessoas soropositiva e outra soronegativa).
"Um diagnóstico voluntário universal, serviços de prevenção completos e um contato precoce com os serviços de saúde são necessários para que os novos tratamentos possam ser propostos nas primeiras etapas da doença", concluem os autores do estudo.
Para isso, é necessário resolver o tema do "estigma e da discriminação associados a um diagnóstico de infecção com o HIV", assinalaram.

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