Uma pesquisa da Universidade de Harvard sugere uma nova arma contra obesidade e diabetes. Não se trata de praticar exercícios ou de uma dieta milagrosa, mas sim de aumentar o preço dos refrigerantes e outras bebidas que contêm açúcar.
Segundo o estudo, aumentar o preço dos refrigerantes pode ser a maneira mais efetiva de encorajar a troca dessas bebidas por outras mais saudáveis. Os pesquisadores testaram o efeito em uma cafeteria de um hospital de Boston e descobriram que o encarecimento funcionava melhor que cartazes educativos que alertavam para o risco de obesidade e diabetes.
"Estratégias de preço podem ser consideradas como uma opção para reduzir o consumo de bebidas com açúcar, grandes contribuidoras para a epidemia de obesidade", diz Jason Block, líder da pesquisa ao lado de Walter Willett.
Segundo a universidade americana, a pesquisa consistiu em cinco fases. Na primeira, os pesquisadores exibiram o preço de todos os refrigerantes e da água vendida no local e monitoraram as vendas. Na segunda, após certo período, aumentaram o preço dos refrigerantes em US$ 0,45 (R$ 0,79) e exibiram o novo preço. Depois, os preços retornaram aos antigos patamares. A quarta fase consistiu em uma campanha educacional com cartazes que incentivavam os consumidores a diminuir uma lata de refrigerante por dia para perder peso. Por último, os pesquisadores combinaram os cartazes com o aumento de preço. Durante o mesmo período, os cientistas monitoraram as vendas em outro hospital de Boston.
Segundo a universidade, enquanto os cartazes educativos sozinhos não afetaram as vendas de bebidas com açúcar, o aumento de preço levou a uma queda de 26% no consumo das mesmas e, na fase que combinou encarecimento e cartazes, ocorreu uma queda adicional de 18% se comparado com o período de aumento de preço. Durante a pesquisa, a venda no segundo hospital continuou estável.
Ainda de acordo com os pesquisadores, o consumo de bebidas açucaradas aumentou substancialmente nos últimos 25 anos nos Estados Unidos e elas podem ter um impacto maior no peso do que o açúcar consumido em forma sólida. Segundo eles, as pessoas costumam compensar a ingestão de doces ao comer menos outro tipo de comida, mas o mesmo não ocorre com os refrigerantes.
Os cientistas afirmam que ainda devem ser feitos muitos testes similares com a população em situações diferentes. Os autores do estudo afirmam que, por exemplo, deve se fazer o teste com sucos e outras bebidas com açúcar e pesquisar qual seria o aumento de preço ideal para diminuir o consumo e manter a receita dos estabelecimentos comerciais.
- Redação Terra



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