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Estudo comprova que estresse envelhece

30 de novembro de 2004 18h16

O que a sabedoria popular já tinha conhecimento - que o estresse e os problemas envelhecem de maneira prematura -, foi confirmado de maneira científica, segundo um estudo divulgado hoje na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. A descoberta pode servir para estabelecer novas formas de detectar as conseqüências físicas do estresse e avaliar o funcionamento dos tratamentos aplicados contra a tensão, dizem os pesquisadores.

O relatório dos especialistas da Universidade da Califórnia em São Francisco explica que o estresse psicológico crônico parece acelerar o encolhimento dos telômeros, os extremos dos cromossomos. Este desgaste superior ao normal encurta a vida dos cromossomos e acelera a deterioração corporal, segundo a pesquisa, que examinou 39 mães entre 20 e 50 anos que cuidavam de filhos doentes crônicos graves, e as comparou com 19 mulheres cujos filhos estavam saudáveis.

Cada vez que se divide uma célula, os telômeros se encurtam um pouco. Num processo normal de envelhecimento, estes extremos cromossômicos acabam sendo tão curtos que as células não podem mais se dividir e morrem. À medida que mais células vão morrendo, avança o processo de envelhecimento e seus sintomas, como as rugas na pele, a falta de tônus muscular, a perda de visão e audição e a rapidez da reação mental.

Nas mulheres que sofriam estresse crônico, este processo se acelerava. Os cientistas descobriram que, quanto mais tempo uma mãe gastava cuidando de seu filho doente, mais curtos eram os telômeros em seus cromossomos.

Também eram mais baixas as taxas de uma enzima conhecida como telomerasa, que ajuda a regenerar os telômeros e que também tem seu nível reduzido à medida que se envelhece.

As mulheres que cuidavam de filhos doentes também mostravam maiores níveis de "estresse oxidante", um processo no qual os radicais livres no corpo danificam o ácido desoxirribonucleico e os telômeros dos genes.

Um dos fatores mais interessantes do relatório é que estes níveis prejudiciais aumentam segundo a percepção de um indivíduo sobre seu estresse: quanto mais estressada se declarava uma mulher, piores eram os resultados de suas análise. Comparadas com as mães que tinham menos preocupação, as mulheres que se declararam mais estressadas apresentavam telômeros dez anos mais envelhecidos.

Uma das co-autoras do estudo, a psiquiatra Elissa Epel explicou: "Existe uma profunda crença de que o estresse provoca um envelhecimento prematuro, mas não havia provas de como isso acontecia... Esta é a primeira vez que se vincula o estresse psicológico a um indicador celular de envelhecimento em pessoas saudáveis".

EFE
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