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 Cresce procura por cirurgias de tornozelo entre idosos nos EUA
20 de janeiro de 2010 13h10

Tara Parker-Pope

Muitos dos norte-americanos mais velhos têm corpos praticamente biônicos. Mais de 770 mil cirurgias de substituição de articulações de quadril e joelho são realizadas a cada ano nos Estados Unidos. Agora, outra articulação prejudicada pelo envelhecimento vem rapidamente se tornando candidata a substituição.

Este ano, a expectativa é de que 4,4 mil pacientes passem por cirurgia de substituição de articulações artríticas ou lesionadas de tornozelo, por juntas artificiais feitas de ligas metálicas e plástico leve, de acordo com estimativas setoriais. Quatro modelos são usados comumente nos Estados Unidos, todos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA, agência federal que regulamenta alimentos e remédios). E a demanda deve crescer à medida que mais e mais americanos da geração baby boom (os nascidos entre 1946 e 1964) chegam aos 60 e 70 anos sofrendo de dores lancinantes nos tornozelos.

A substituição de articulações do tornozelo existe há três décadas, mas demorou a ganhar popularidade. Problemas nas próteses iniciais fizeram com que cirurgiões e pacientes desconfiassem do método. A cirurgia é complexa e muitos dos médicos que recomendam esse método carecem de experiência.

Embora o programa federal de saúde Medicare cubra o custo de cirurgias desse tipo, muitos dos planos privados de saúde não o fazem. A cada ano, cerca de dois milhões de americanos procuram seus médicos devido a dores nos tornozelos, causadas por artrite ou fraturas. Cerca de 50 mil pessoas ao ano sofrem de artrite terminal no tornozelo, com desgaste completo da cartilagem, o que causa doloroso contato direto entre ossos e certo grau de incapacidade física.

Até recentemente, esses pacientes contavam com apenas uma saída cirúrgica: a cirurgia de fusão de tornozelo, na qual a parte desgastada da articulação é removida e os ossos são permanentemente fundidos por meio de pinos e chapas. O procedimento em geral alivia a dor, mas o paciente perde a mobilidade no tornozelo, o que resulta em mudanças de passo e, por fim, desgaste adicional e dores artríticas em outras partes do tornozelo. No ano passado, foram realizadas cerca de 25 mil cirurgias de fusão de tornozelo nos Estados Unidos.

Andrew Keaveney, 73 anos, quebrou o tornozelo ao cair de um caminhão do qual estava distribuindo bandeiras, como voluntário da Legião Americana. Uma cirurgia reparou os ossos fraturados, mas ele continuou a sofrer dores severas. Médicos sugeriram uma fusão de tornozelo, mas ele encontrou um cirurgião que ofereceu em lugar disso uma substituição total da articulação. A operação foi realizada em dezembro de 2008, e ele diz que seu tornozelo está "a 99%".

"Antes da cirurgia, eu não conseguia dormir de dor", diz Keaveney. "Agora, consigo subir escadas. Não sinto dor alguma. Alguns meses atrás, até joguei futebol com os meus netos". O médico dele, Dr. Craig Radnay, do Instituto Insall Scott Kelly de Ortopedia e Medicina Esportiva, em Nova York, diz que passou a "acreditar muito" na substituição de articulações, para certos pacientes.

"Para uma substituição de articulação, é preciso cuidado na seleção", disse. "Mas posso dizer que muitos pacientes que me procuram não sabiam que essa opção existia". (Radnay, que diz ter executado mais de 100 cirurgias desse tipo, usando uma prótese Inbone, da do Wright Medical Group, agora trabalha como consultor pago para a empresa fabricante, e ajuda a recolher dados sobre o índice de sucesso do produto em longo prazo.)

O paciente ideal precisa ter idade por volta dos 60 anos e peso normal, ainda que os médicos possam considerar pacientes mais velhos, a depender de seu estado de saúde. Pessoas que sofram de diabetes podem não ser bons candidatos, porque correm o risco de complicações como resultado da má circulação de sangue.

O Dr. Jonathan Deland, diretor do serviço cirúrgico de pés e tornozelos do Hospital for Special Surgery, em Manhattan, diz que embora as próteses tenham melhorado, ele ainda exerce cautela antes de oferecer essa opção. "A grande preocupação sobre as próteses é seu grau de quebra ou afrouxamento", ele disse.

As complicações podem incluir cicatrização lenta e infecção. Complicações severas são raras, mas podem resultar em amputação. Ainda assim, Deland diz que "o número de falhas é cada vez menor". Os novos modelos requerem remoção menor de osso, de modo a tornar mais forte o osso ao qual a prótese se afixa. Além disso, os instrumentos usados para orientar os cirurgiões no alinhamento da prótese melhoraram. Deland menciona dados que indicam que, para modelos recentes, 90% das próteses continuavam no lugar depois de em média 8,5 anos de instalação.

Ainda que as quatro próteses usadas mais comumente tenham diferenças técnicas de projeto e em sua forma de implantação, os médicos dizem que a escolha de aparelho importa menos que a experiência do cirurgião. O procedimento está entre os mais difíceis para os especialistas em pés e tornozelos, e um dos desafios mais sérios é o alinhamento correto da articulação substituta.

O Dr. Brian Donley, cirurgião ortopédico e diretor do centro de cirurgias de pé e tornozelo na Cleveland Clinic, diz que os pacientes sempre devem pedir ao seu médico que revele se tem interesse financeiro por um aparelho. (Ele instalou o primeiro implante com a prótese Salto Talaris, da Tornier, e é consultor pago dessa companhia.)

Mesmo em caso de implante bem sucedido, os pacientes não devem esperar um retorno dos tornozelos que tinham aos 18 anos. Não devem tentar voltar a atividades como o basquete ou corridas de longa distância. Mas golfe, caminhadas e em certos casos até esqui são permitidos. "Os pacientes mais felizes que tenho são os de implantes de tornozelo", disse Donley. "Eles apreciam muito as mudanças positivas em suas vidas. Podem ir ao casamento dos netos e dançar".

Tradução: Paulo Migliacci

The New York Times
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