Os moradores do sudeste dos Estados Unidos apresentam probabilidade tão maior de morrer de derrame que os americanos das demais regiões que os epidemiologistas apelidaram a região de "cinturão do derrame". Um novo estudo sugere que o risco pode ser estabelecido mais cedo na vida, porque mesmo quando pessoas nascidas no sul se transferem a outras regiões do país ao se tornarem adultas, o risco de derrames que apresentam é mais elevado que a média.
"O cinturão do derrame" inclui os Estados do Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Geórgia, Mississipi e Tennessee.
Pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, em um trabalho que analisava as mortes causadas por derrames nos Estados Unidos, constataram que as pessoas nascidas no sudeste e que continuavam a viver na região quando adultas tinham probabilidade 34% maior de morrer de derrames do que os demais americanos, em 2000. Mas mesmo aqueles que deixavam a região continuavam a enfrentar risco mais elevado, da ordem de 20% entre os brancos e de 9% entre os negros, de morte por derrame, comparados aos americanos que jamais tenham vivido na região, constatou o estudo.
O estudo, publicado na edição de 1° de dezembro da revista Neurology, analisava as incidências de causas de óbito registradas em 1980, 1990 e 2000. Ainda que a porcentagem de mortes causadas por derrames tenha crescido, o estudo encontrou padrões consistentes de um risco regional mais elevado, ao longo das décadas estudadas.
"Trata-se de um verdadeiro mistério", disse M. Maria Glymour, principal autora do estudo e professora assistente na Escola de Saúde Pública de Harvard. Ainda que o risco adicional seja muito pequeno se considerado em nível individual, ela diz, "não sabemos exatamente o que acontece por lá e afeta as pessoas a essa ponto".
Tradução: Paulo Migliacci ME

- The New York Times
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