Notícias » Ciência e Meio Ambiente » Ciência e Meio Ambiente

 Novos fósseis apontam que o mundo já foi cheio de crocodilos
19 de novembro de 2009 19h02 atualizado às 21h30

Fóssil de crocodilo é apresentado ao lado de reprodução da cabeça do animal. Foto: Reuters

Fóssil de crocodilo é apresentado ao lado de reprodução da cabeça do animal
Foto: Reuters

Novos fósseis escavados no que hoje é o deserto do Saara revelam um mundo outrora pantanoso dividido entre algumas espécies de crocodilos diferentes e talvez inteligentes, disseram pesquisadores nesta quinta-feira. As novas espécies - identificadas por apelidos: CrocJavali, CrocRato, CrocCão, CrocPato e CrocPanqueca - podem ajudar a entender por que os crocodilianos foram e continuam sendo uma forma tão bem sucedida de vida.

Eles viveram durante o Cretáceo - 145 a 65 milhões de anos atrás - quando os continentes ainda estavam unidos e o mundo era mais quente e úmido que hoje. "Ficamos surpresos por descobrir tantas espécies do mesmo tempo no mesmo lugar", disse o paleontólogo Hans Larsson, da Universidade McGill, de Montreal, que participou do estudo.

"Cada crocodilo aparentemente tinha dietas e comportamentos diferentes. Parece que eles dividiram o ecossistema, com cada espécie tirando proveito dele à sua própria maneira."

Com verba da National Geographic, Larsson e Paul Sereno, da Universidade de Chicago, estudaram mandíbulas, dentes e os poucos ossos disponíveis dos animais. Também fizeram tomografias computadorizadas para olhar dentro dos crânios.

Duas das espécies - o CrocCão e o CrocPato - tinham cérebros diferentes dos crocodilos modernos. "Eles podiam ter uma função cerebral ligeiramente mais sofisticada do que os crocodilos (atualmente) vivos, porque a caça ativa sobre a terra habitualmente exige mais poder cerebral do que simplesmente esperar que a presa apareça", disse Larsson em nota.

O CrocRato, uma nova espécie formalmente chamada de Araripesuchus rattoides, foi encontrada no Marrocos e teria usado sua mandíbula inferior com dentes elevados para fuçar em busca de comida.

O CrocPanqueca, conhecido cientificamente como Laganosuchus thaumastos, tinha 6 metros de comprimento e uma cabeça comprida e chata.

O CrocPato representa novos fósseis achados no Níger de uma espécie previamente conhecida, chamada Anatosuchus minor. Tinha um focinho largo e provavelmente se alimentava de larvas e sapos.

O mais feroz era o CrocJavali, também com 6 metros, mas que corria em pé e tinha uma mandíbula preparada para esmagar, com três pares de dentes cortantes.

Alguns eram bípedes, com as pernas em baixo do corpo, em vez de serem rastejantes e terem as pernas ao lado do corpo.

"Seus talentos anfíbios do passado podem ser a chave para entender como eles floresceram na era dos dinossauros e afinal sobreviveram a ela," escreveu Sereno em um artigo para a National Geographic.

Reuters
Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.
  1. Fóssil de crocodilo é apresentado ao lado de reprodução da cabeça do animal

    Reuters
    Foto: Reuters

  2. Os novos fósseis foram escavados no que hoje é o deserto do Saara

    Reuters
    Foto: Reuters

  3. Palentólogos fazem escavações na Nigéria

    Reuters
    Foto: Reuters

  4. Paleontólogo Paul Sereno ao lado das espécies descobertas - CrocSuper, CrocJavali (em cima, à dir.), CrocPanqueca (em baixo, à dir.), CrocRato, CrocCão e CrocPato

    National Geographic
    Foto: National Geographic

  5. Reconstrução artística do CrocRato

    National Geographic
    Foto: National Geographic

  6. O CrocPato era comprido, tinha um focinho saliente e pontiagudo

    National Geographic
    Foto: National Geographic

  7. Reconstrução artística do CrocCão

    National Geographic
    Foto: National Geographic

/ciencia/foto/0,,00.html