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 ONU diz que não haverá acordo sobre clima sem EUA
02 de novembro de 2009 16h24 atualizado em 03 de novembro de 2009 às 02h08

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O responsável das Nações Unidas na luta contra a mudança climática, Yvo de Boer, afirmou nesta segunda-feira que a comunidade internacional não aceitará nenhum acordo na conferência sobre o tema, que será realizada em Copenhague, se os Estados Unidos não estabelecerem seus compromissos.

De Boer participa em Barcelona da última reunião antes da conferência que a ONU realizará na capital dinamarquesa, em dezembro, da qual deverão sair acordos "claros" que sirvam para dar continuidade ao Protocolo de Kioto, acordado em 1997 contra a mudança climática e assinado por 184 países, mas não pelos Estados Unidos.

O responsável da ONU disse acreditar que a reunião em Barcelona, com mais de 4 mil delegados de 181 países, não terá resultados "espetaculares", mas confia que ajudará a criar a "arquitetura básica" para Copenhague. O atual acordo sobre emissões de dióxido de carbono (CO2) vence em 2012 e a maior parte de seus compromissos seguem vigentes.

Nesse sentido, disse que os delegados só têm cinco dias de negociações para oferecer propostas concretas e viáveis para todos os Estados, tanto os ricos quanto os em vias de desenvolvimento. As emissões per capita de gases que agravam o efeito estufa são muitos menores nos países pobres, por isso os delegados pedem ajuda financeira para reduzir a liberação poluente na atmosfera sem perder capacidade de crescimento.

De Boer afirmou que entre os aspectos fundamentais para se chegar a um acordo está um compromisso ambicioso da redução de emissões dos países desenvolvidos que, segundo o relatório de avaliação de especialistas sobre a mudança climática da ONU, deveria ser de entre 25% e 40% frente aos números registrados em 1990, e que cada país assuma objetivos individuais até 2030.

Além disso, insistiu que o acordo deverá reunir medidas de mitigação para os países em desenvolvimento, compromisso no qual também devem estar envolvidos os países ricos, que devem ajudar a financiar o processo, sem que estas ajudas danifiquem programas de cooperação, como temem as economias em desenvolvimento. De Boer afirmou que o respaldo financeiro e tecnológico para mitigar o aquecimento global deveria sair da reunião de Copenhague com uma verba inicial de US$ 10 bilhões (o valor global ronda os US$ 250 bilhões até 2020) e antecipou que deverá apoiar-se especialmente na luta contra o desmatamento.

Neste sentido, destacou o anúncio feito hoje pela vice-presidente do governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, de que a Espanha fornecerá 100 milhões de euros (US$ 148 milhões) adicionais até 2012, para o que chamou de "esforços adiantados".

De Boer defendeu a criação de uma estrutura forte que dê voz a todos os países, com "capacidade de ação imediata". Ao mesmo tempo ressaltou o papel que devem ter as economias emergentes, como Brasil, México ou China, que se mostraram ambiciosos na hora de limitar suas emissões, mas também os Estados Unidos, país do qual destacou a mudança de rumo efetuada pela administração do presidente Barack Obama. Nesse sentido, ressaltou que os Estados Unidos devem começar a fixar seus alvos a longo prazo e aceitar o consenso sobre a redução das emissões de gases que agravam o efeito estufa para, da mesma forma que o resto de países desenvolvidos, ganhar a "fé e o respeito" da comunidade internacional.

A delegação americana não quis fazer referência a um possível acordo sobre a redução das emissões de gases poluentes, preferindo referir-se à necessidade de chegar a um pacto global que inclua elementos que vão desde a transposição de tecnologias de mitigação e adaptação ao financiamento destes programas.

Representando a UE, Andreas Carlgreen, ministro do Meio Ambiente da Suécia, se mostrou convencido de que, apesar das dificuldades, haverá um bom acordo ambicioso e acrescentou que confia que todos os países desenvolvidos se comprometerão.

Sobre o assunto, disse que Obama gerou muitas expectativas, já que os Estados Unidos começaram a analisar números de redução de emissões que vão de 17% a 24%, embora ainda estejam por definir.

Quanto à UE, o ministro sueco disse que o bloco deve ser um exemplo a seguir, por sua implicação no fenômeno, embora a postura dos 27 Estados-membros não seja única, como pôde ser comprovado em sua última reunião.

EFE
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