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 Estudo: remédio contra câncer pode prevenir partos prematuros
23 de outubro de 2009 14h36 atualizado às 15h33

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Um remédio utilizado no tratamento do câncer, a tricostatina A, pode ajudar no controle das contrações e prevenir partos prematuros, segundo descobriu um estudo feito na Universidade de Newcastle (Reino Unido). O remédio foi aplicado em 36 mulheres que foram submetidas a cesarianas. Em todas elas os médicos constataram que a tricostatina A aumentou os níveis da proteína que controla o relaxamento muscular.

Números indicam que os partos prematuros são a principal causa da mortalidade de crianças no mundo desenvolvido, situação ascendente nas últimas décadas. Até agora, existiam outros tratamentos para atrasar o parto, mas a maior parte destes acabava gerando efeitos colaterais na mãe e no bebê.

Segundo os pesquisadores explicaram na revista Cellular and Molecular Medicine, foram recolhidas amostras de tecido das mulheres para comprovar os efeitos do remédio sobre as contrações naturais e as induzidas com oxitocina artificial. O resultado foi a redução de 46% em média nas contrações dos tecidos das mulheres que tiveram parto natural e 54% no caso das que precisaram induzir as contrações.

Os especialistas constataram que a tricostatina A, utilizada para matar as células cancerígenas aumentava os níveis de uma sub-unidade da proteína quinase A (PKA), que tem implicação decisiva no relaxamento do útero durante os nove meses da gravidez. Nick Europe-Finner, professor e diretor da pesquisa, afirmou, no entanto, que o remédio não será receitado aos pacientes porque prejudica até 10% dos genes celulares.

"Essa pesquisa nos mostra que vale a pena seguir investigando outros agentes mais específicos atuantes nas mesmas enzimas", acrescentou. A doutora Yolanda Harley, vice-diretora da pesquisa de Action Medical Research - organização que financiou o estudo - destacou que "o projeto descobriu novos caminhos moleculares para controlar as contrações uterinas".

Para a professora Jane Normal, porta-voz do Colégio de Obstetrícia e Ginecologia do Reino Unido, lembrou que "atualmente não é possível tratar de maneira eficaz os partos prematuros, porque só temos remédios que atrasam os partos em 24 horas, um período de tempo insuficiente para garantir a vida do bebê". "Uma dos pontos interessantes desta pesquisa é o fato da descoberta ter sido de um novo tipo de remédio para o tratamento", disse Normal.

EFE
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