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 Lula pede na ONU regulação dos mercados e ação pelo clima
23 de setembro de 2009 11h13 atualizado às 11h47

Em discurso de abertura na Assembléia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que um ano após a crise financeira mundial os países ainda resistem em regular os mercados e se abrigam em medidas protecionistas. "A maioria dos problemas de fundo não foi enfrentada. Há enormes resistências em adotar mecanismos efetivos de regulação dos mercados financeiros", afirmou Lula nesta quarta-feira.

É tradição o presidente brasileiro abrir a Assembléia Geral da ONU. "Há sinais inquietantes de recaídas protecionistas", advertiu o presidente.

Ele advogou ainda, como em outras ocasiões, a reforma dos organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, medida que também aponta resistência por parte da comunidade internacional. Alertou para a "paralisia" da Rodada de Doha, que prentende liberalizar o comércio internacional.

Quanto à saída do Brasil da crise, disse que o país não fez mágica e sim preservou o sistema financeiro da especulação e reduziu a vulnerabilidade externa. Ele voltou a defender a presença do Estado na economia. "(O que faliu) foi a doutrina absurda de que os mercados podiam auto-regular-se, dispensando qualquer intervenção do Estado, considerado por muitos um mero estorvo", disse.

Lula alertou que sem vontade política "persistirão anacronismos" como o embargo econômico contra Cuba e golpes de Estado, como o que derrubaram o presidente hondurenho, Manuel Zelaya.

Aplaudido, Lula disse que "a comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade" da embaixada brasileira lá.

O presidente brasileiro voltou a cobrar uma atuação maior dos países ricos no combate às mudanças climáticas. "Todos os países devem empenhar-se em realizar ações para reverter o aquecimento global." E prometeu que, mesmo com a descoberta do pré-sal, "o Brasil não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo".

Reuters
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