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 Projetos solares no deserto são criticados por ambientalistas
04 de setembro de 2009 11h07

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As propostas incluiriam imensos campos de espelhos que acompanhariam o movimento do sol Foto: The New York Times

As propostas incluiriam imensos campos de espelhos que acompanhariam o movimento do sol
04 de setembro de 2009
Foto: The New York Times

"Comecei nesse negócio porque sentia era a coisa certa a fazer pelo futuro deste país", disse Paul Whitworth, co-fundador da Lightsource Renewables, companhia que já suspendeu um projeto de energia solar que seria instalado perto de Amboy devido a uma combinação entre falta de capacidade de transmissão e a proposta de Feinstein para construir um monumento nacional.

"Ninguém compreende direito os prós e contras", afirma Whitworth. "Não se trata de ou construir uma usina solar ou deixar intocada aquela porção do deserto, mas sim de ou construir uma energia solar no deserto ou passar por cortes de energia e blecautes".

De certa maneira, o Mojave é o laboratório perfeito para o sonho da energia solar em escala comercial. A terra parda literalmente cozinha ao sol; há 340 dias ensolarados ao ano, e a temperatura pode ultrapassar os 50 graus no verão. Para o observador inexperiente, é uma paisagem impiedosa de plantas rasteiras e rochas.

"Se não podemos instalar usinas solares no Mojave, onde poderemos?", perguntou o exasperado governador Arnold Schwarzenegger a uma audiência na Universidade Yale, um ano atrás.

Mas ao contrário dos pequenos painéis instalados em residências que dominam o mercado em alguns países europeus, como a Alemanha, projetos em escala de infraestrutura para o Mojave requerem alterações vastas, e em alguns casos podem se estender por 115 quilômetros quadrados de deserto, o que prejudicaria a paisagem e prejudicaria habitates.

As tecnologias propostas incluiriam imensos campos de espelhos que acompanhariam o movimento do sol, para focalizar os raios solares, instalados no topo de torres de 100 metros de altura. O calor assim concentrado poderia levar a temperatura focal do ar a perto de 430 graus. Os ambientalistas apelidaram essas torres de "fulminadoras de pássaros", porque pássaros e morcegos que passem voando por perto podem ser cozidos vivos em pleno voo. "A escala do projeto é assustadora", diz Joan Taylor, representante de campo do Sierra Club.

O Sierra Club serve como exemplo da cisão criada entre os ambientalistas pelos projetos solares no Mojave. Os profissionais da organização apoiam muitos dos projetos de energia solar em escala comercial na região, considerando-os como essenciais na batalha contra o aquecimento global. Mas muitos integrantes da poderosa ala voluntária do grupo se opõem a eles devido ao impacto que têm sobre os habitates. ¿Não precisamos sacrificar os valores de proteção do habitat e da biodiversidade a fim de combater a mudança no clima mundial¿, afirmam os voluntários.

Dificuldades semelhantes prejudicam outros projetos de energia renovável em toda a região oeste dos Estados Unidos. Ao contrário das usinas a carvão que podem ser construídas perto de corredores de transmissão, projetos de energia renovável precisam ser construídos nos locais em que existem fontes de energia, muitos dos quais remotos e rurais.

As linhas de energia próximas ao Mojave já estão perto de seu limite de capacidade, e pouca eletricidade poderá ser transmitida para fora da região sem a construção de novas linhas de transmissão, um projeto em larga escala quase tão controverso quanto as usinas mesmas.

Três grupos ambientais recentemente apelaram ao Serviço de Administração de Terras federal contra a aprovação de uma linha de transmissão que levaria a eletricidade gerada em projetos solares do Imperial Valley a San Diego. E a Green Path North, uma linha de transmissão proposta para a região de Los Angeles, também encontrou amarga oposição.

Enquanto Harvey percorre de carro a estrada que corta o vale de Johnson, no Mojave, o líder de um grupo chamado Aliança por uma Política Energética Responsável aponta para a rota proposta da Green Path North, de um lado, e para um terreno de sete mil hectares que pode abrigar uma usina solar, do outro.

Como seus amigos e vizinhos. Harvey parece apreciar as dificuldades da vida nesse vale distante, e desaprova a corrida pelo desenvolvimento em nome do combate ao aquecimento global. É uma atitude semelhante à que resultou no abandono de diversos grandes projetos de desenvolvimento em terras públicas do oeste, de minas de ouro nas Montanhas Rochosas às exploração madeireira de florestas ancestrais na costa do Pacífico.

"Não estou surpreso pela dimensão do interesse e participação pública. Estamos claramente falando de terras federais que administramos para o bem público", disse Ray Brady, que como diretor da seção de energia no Serviço de Administração de Terras meses atrás enfrentava feroz oposição pública aos projetos agressivos de prospecção de petróleo e gás natural incentivados durante o governo Bush.

Na expectativa de atenuar as controvérsias, a agência criou áreas de estudo de energia solar que permitirão acelerar projetos em áreas nas quais acreditam que os conflitos ambientais serão mínimos. Há cinco áreas de estudo na Califórnia, sete em Nevada e quatro no Colorado. Diversos grupos ambientais aprovam a idéia, mas não aceitam todas as áreas propostas para estudo.

"Todo mundo está em busca de alguma fonte de energia que não prejudique nada com que a pessoa se preocupe", diz Taylor, do Sierra Club. "Mas, até onde sabemos, não existe uma forma de energia inofensiva. Hidrelétrica, nuclear, solar, qualquer uma. Todas têm seu impacto".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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