Os Estados Unidos e a China assinaram no mês passado um memorando de entendimento no qual se comprometem a ampliar a cooperação em mudanças climáticas. Índia e EUA também concordaram no mês passado em estabelecer um diálogo estratégico, tendo a questão climática como um dos tópicos.
Mas alguns analistas temem que os EUA possam estar tentando criar divisões entre os países em desenvolvimento, os quais exigem que as nações ricas se comprometam com cortes maiores nas emissões de gás do efeito estufa até 2020 e arquem com bilhões em fundos anuais para o combate ao aquecimento global.
O enviado norte-americano para mudanças climáticas, Todd Stern, esteve no Brasil na semana passada e pediu ao país que seja um líder nas conversações sobre clima conduzidas pela ONU, como parte do esforço dos EUA de fazer com que as nações mais pobres reduzam suas emissões.
"As mudanças climáticas estão sendo um polo divisor e um verdadeiro desafio global. É difícil ver como acordos bilaterais podem eliminar o fosso", disse o enviado especial da Índia, Shyam Saran.
"Não é como nas questões de comércio ou segurança. Precisamos de um acordo baseado em um espírito de colaboração e não em um falso sentido de compulsão competitiva", disse ele à Reuters em uma entrevista por e-mail.
Os países esperam firmar no fim do ano, em Copenhague, um amplo pacto global sobre clima que substitua o Protocolo de Kyoto.
Mas as negociações ficaram profundamente polarizadas. As nações em desenvolvimento dizem que os Estados ricos são responsáveis pela maior parte da poluição do gás do efeito estufa emitido desde a Revolução Industrial e que a redução da pobreza e o crescimento econômico são as prioridades.
Países ricos dão ênfase à rápida expansão das emissões em grandes países em desenvolvimento, como Índia, China e Brasil, e dizem que eles têm de concordar com medidas para conter sua poluição de carbono para que seja limitado o aquecimento do planeta nas próximas décadas.
"Estamos preparados para fazer ainda mais se um regime global justo e com assistência for definido em Copenhague," disse Saran, que destacou os esforços da Índia para usar energia renovável, além de outras medidas para conter as emissões do país.
Dados divulgados na segunda-feira pelo instituto alemão da indústria da energia renovável, IWR, mostraram que as emissões da Índia de dióxido de carbono, relacionado ao aquecimento do planeta, cresceram 125 por cento entre 1990 e 2008, enquanto as da China aumentaram 178 por cento e as dos EUA, 17 por cento.
A China é o maior emissor de gás do efeito estufa, seguida dos EUA, Rússia, Índia e Japão.
Saran negou que os países em desenvolvimento estejam divididos em suas posições na negociação para um novo acordo sobre clima.
"O Grupo dos 77 mais a China tem um bom histórico de posições coordenadas e equilibradas, mesmo que em alguns temas específicos nossas perspectivas possam ser de algum modo diferentes."

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