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 Médico chinês que alertou sobre a Sars recebe "Nobel asiático"
31 de agosto de 2004 11h27

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O médico militar reformado Jiang Yanyong, que deu o alarme sobre a Síndrome Respiratória Aguda Severa na China, recebeu hoje, terça-feira, o prêmio "Ramón Magsaysay" por sua luta pela verdade durante a crise.

O médico Jiang Yanyong foi proibido de assistir à cerimônia de entrega de prêmios, realizada em Manila. A concessão do prêmio, considerado o "Nobel asiático", para Yanyong, de 72 anos, foi motivada pelo fato de o médico ter "quebrado o hábito chinês do silêncio e feito com que a verdade sobre a Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars) viesse à tona", segundo a organização do prêmio.

Por meio de seus contatos em Pequim, o médico constatou um alarmante número de mortes humanas devido à Sars, número que revelou aos meios de comunicação e que a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou pouco depois, o que ajudou a frear a propagação da pandemia.

Recentemente, a imprensa filipina informou que o governo chinês proibiu Yanyong, libertado no mês passado após ficar sete semanas preso na China, de assistir à cerimônia de entrega de prêmios porque tem de atender a uma ordem de prestação de serviços públicos.

Além do médico chinês, outras seis pessoas de nacionalidades filipina, tailandesa, bengali, indiana e paquistanesa receberam o prêmio, que leva o nome do ex-presidente filipino Ramón Magsaysay, morto em um acidente aéreo em 1957.

A advogada filipina Haydee Yorac, que preside a comissão presidencial para a boa gestão, foi premiada na área de Serviço Governamental por aumentar com seu trabalho e integridade a confiança dos filipinos no governo do país.

O prêmio de Liderança Emergente foi dado ao também filipino Benjamin Abadiano por seu serviço de voluntariado na assistência aos povos indígenas.

Prayong Ronnarong, um fazendeiro tailandês, recebeu o prêmio de Liderança da Comunidade por mostrar que empresas locais independentes, com o apoio da aprendizagem ativa, são o caminho para a prosperidade rural da Tailândia.

O prêmio de Jornalismo, Literatura e Criatividade na arte da Comunicação foi concedido a Abdullah Abu Sayeed de Bangladesh, fundador e líder do Centro de Literatura Mundial, por promover a literatura bengali entre os jovens.

Laxminarayan Ramdas, da Índia, e Ibn Abdur Rehman, do Paquistão, ambos do Fórum do Povo Indiano-Paquistanês para a Paz e a Democracia, dividiram o prêmio de Paz e Aceitação Internacional.

O prêmio Ramón Magsaysay, concedido anualmente desde 1958 a personalidades de destaque no continente asiático, é financiado pelas fundações Rockefeller e Ford, e conta com uma medalha comemorativa e 50 mil dólares para cada premiado.

EFE
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