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 Enxaqueca pode estar relacionada ao tamanho da cintura
13 de fevereiro de 2009 17h10

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Ligia Hougland

Direto de Washington

As pessoas acima do peso entre 20 e 55 anos podem apresentar um risco mais alto de enxaqueca, de acordo com um estudo que será apresentado no 61º Encontro Anual da Academia Americana de Neurologia, que será realizado de 25 de abril a 2 de maio, em Seattle.

No estudo, a gordura concentrada no abdômen foi medida pela circunferência da cintura. O índice total de obesidade dos participantes do estudo também foi registrado usando como referência o índice de massa corporal, uma medida que relaciona o peso com a altura do indivíduo. Os 22.211 participantes do estudo tiveram de relatar se sofriam de enxaqueca ou dor de cabeça forte.

O estudo concluiu que a idade, o sexo e a maneira que a gordura corporal é distribuída têm um impacto sobre a incidência de enxaqueca. Os participantes entre 20 e 55 anos e com cinturas maiores apresentaram, na média, uma maior probabilidade de sofrer de enxaqueca que outro grupo com participantes da mesma idade, mas com cinturas menores.

Cerca de 57% das mulheres entre 20 e 55 anos com excesso de gordura ao redor da barriga relataram sofrer de enxaqueca. Apenas 29% das mulheres sem excesso de gordura concentrada na barriga relataram enxaqueca.

No grupo masculino composto por participantes de 20 a 55 anos, 20% dos homens com obesidade abdominal relataram enxaqueca. Apenas 16% dos homens sem obesidade abdominal disseram sofrer enxaqueca.

No entanto, entre as mulheres de 20 a 55 anos com gordura abdominal em excesso, a probabilidade de enxaqueca subiu 1,3 vezes depois de serem levados em consideração os seus fatores de risco de doença cardíaca e o índice de gordura corporal total.

Depois dos 55 anos, o índice de obesidade corporal total não mostrou relação alguma com a incidência de enxaqueca em homens nem em mulheres. Surpreendentemente, no caso das mulheres com mais de 55 anos e cinturas maiores, a incidência de enxaqueca diminuiu.

"Esses resultados, apesar de ainda iniciais, sugerem que perder peso na região abdominal pode trazer benefícios para os jovens que sofrem de enxaqueca e, especialmente, para as mulheres", fala o autor do estudo, B. Lee Peterlin, da Escola Drexel de Medicina, localizada na Filadélfia, Pensilvânia, e membro da Academia Americana de Neurologia.

"Homens e mulheres têm tecido corporal distribuído de maneira diferente. Depois da puberdade, as mulheres apresentam mais tecido adiposo na região do quadril e das coxas, ao passo que os homens, predominantemente, apresentam mais tecido adiposo na região da barriga. Depois da menopausa, as mulheres novamente passam a exibir mais gordura na barriga. No caso de algumas doenças, incluindo doença cardíaca e diabete, o excesso de gordura na cintura parece ser um fator de risco com maior impacto que o índice total de obesidade", explica Peterlin.

No entanto, o estudo indica que a concentração de gordura na barriga não aumenta, e parece até mesmo diminuir, a incidência de enxaqueca nas mulheres que estão na menopausa.

Especial para Terra