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 Estudo identifica causa de nuvem marrom sobre a Ásia
29 de janeiro de 2009 08h56 atualizado às 09h11

O sul da Ásia vive sob uma nuvem - uma desagradável e insalubre sopa de névoa fuliginosa que afeta o clima e envolve a região, especialmente nos meses de inverno.

Os cientistas vêm estudando a chamada "nuvem marrom" já há anos, mas sempre houve incertezas com relação a ela. Que proporção da fuligem e outros aerossóis que portam carbono, na nuvem, provém da queima de combustíveis fósseis em automóveis, usinas de energia e atividades semelhantes e que proporção é proveniente da queima de lenha e outras forma de biomassa para finalidades agrícolas e de culinária?

Orjan Gustafsson, da Universidade de Estocolmo, e sua equipe conseguiram remover a nuvem de incerteza que pende sobre a nuvem marrom. A queima de biomassa, eles reportaram em artigo publicado pela revista Science, é a principal responsável pelo fenômeno.

Os pesquisadores empregaram métodos de datação por carbono 14 de amostras de fuligem atmosférica obtidas em 2006, em Sinhagad, no oeste da Índia, e na ilha de Hanimaadhoo, parte das Maldivas.

Basearam seu trabalho no fato de que os combustíveis fósseis têm milhões de anos de idade e por isso o carbono 14, um isótopo radiativo com meia-vida de 5,7 mil anos, já teria decaído por completo em seu espectro.

Já a vegetação, por outro lado, queimada quando campos são preparados para uso agrícola e na forma de madeira e esterco para fins culinários, contém carbono mais "jovem", com presença considerável de carbono 14. Eles constataram que a combustão de biomassa responde por dois terços da poluição -uma proporção muito superior à determinada em outros estudos, por meio de metodologias diferentes.

As constatações sugerem que os controles sobre as queimadas agrícolas e a melhora da tecnologia utilizada para cozinhar alimentos, de modo a permitir uma combustão mais completa do combustível, poderiam fazer tanta ou mais diferença para a limpeza dos ares por sobre o sul da Ásia do que esforços para restringir o uso de automóveis ou construir usinas de energia menos poluentes.

The New York Times
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