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 Tupis chegaram ao Rio mil anos antes, diz estudo
02 de janeiro de 2009 15h15 atualizado às 15h22

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A saída de índios tupis-guaranis da Amazônia não é um evento tão recente como se imaginava. Um novo estudo encontrou evidências de presença do povo na região onde hoje está o município de Araruama, no estado do Rio de Janeiro, há 2.920 anos - mais de mil anos antes do que se supunha até então.

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Os resultados do trabalho foram publicados nos Anais da Academia Brasileira de Ciências. De acordo com a autora, Rita Scheel-Ybert, professora de arqueologia do Departamento de Antropologia do Museu Nacional - vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - o aparecimento de datas cada vez mais antigas no Sul, Sudeste e Nordeste nos últimos anos tem mudado o paradigma a respeito da ocupação.

Segundo ela, a hipótese mais aceita até o momento, baseada em dados lingüísticos, considerava que a saída dos tupis-guaranis da Amazônia não poderia ter ocorrido antes de cerca de 2.500 anos atrás.

"A datação anterior existente para o sítio Aldeia Morro Grande, em Araruama, de 1.740 anos, já era considerada bastante recuada, sendo até a mais antiga para o estado. As novas datas, de cerca de 2.900 e 2.600 anos, seriam, por essa razão, completamente inesperadas" informou.

De acordo com a pesquisadora, as datas muito mais antigas colocam em questão também as rotas de migração, mas não questionam a origem amazônica dos tupis-guaranis, pois, para isso, seria necessário um número maior de evidências.

"Nossa hipótese é que a multiplicação dos estudos e um maior investimento em datações, tanto na Amazônia como no resto do Brasil, tenderão a revelar outras datações tão ou mais antigas como essas e permitirão uma melhor compreensão dos processos de ocupação do nosso território" disse.

A pista inicial, encontrada a partir dos carvões de uma fogueira, foi descartada pela pesquisadora no fim da década de 1990. Por ser antiga demais, ela não acreditou que a fogueira pudesse ser de origem humana e acabou engavetando a análise.

Segundo ela, a antigüidade da primeira data obtida, de 2.920 anos, pareceu tão desproporcional em relação ao que era esperado que em um primeiro momento achou que os carvões datados poderiam não ser de origem humana.

"Imaginamos, na época, que eles poderiam ser restos de um paleoincêndio anterior ao sítio, pois se tratava de carvões dispersos no sedimento. Foi apenas após a análise que se teve certeza de que esses carvões eram de origem antrópica e associados ao sítio em questão", disse Rita Scheel-Ybert.

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