Para o conhecedor da boa comida, carne de frango pode parecer deprimente e monótona não importa qual seja a forma de preparação. Mas os cientistas se preocupam com um grau mais básico de mesmice: a falta de diversidade genética nas aves criadas para produzir ovos e carne.
Uma análise das populações comerciais de frangos do mundo conduzida por William Muir, da Universidade Purdue, e colegas mostra a extensão do problema. Cerca de 50% da diversidade genética que um dia existiu foi perdida, eles reportam em artigo para a Proceedings of the National Academy of Sciences. Isso poderia tornar a produção de frangos mais suscetível a doenças, caso os genes que ajudavam a resistir a elas desapareçam.
Os pesquisadores examinaram 2,5 mil aves, em busca de casos de variação genética, e usaram os resultados para estimar que traços teria uma população ancestral hipotética. "Assim pudemos perceber o que faltava nas aves comerciais", disse Muir.
As conclusões apontam que a maior parte da diversidade foi perdida com o advento de produção comercial em larga escala, nos anos 50. Algumas centenas de variedades foram cruzadas para produzir os animais comerciais.
Muir diz que restaurar a diversidade não dependeria apenas de promover o cruzamento com mais variedades - os produtores perderiam as melhoras obtidas nas linhas existentes. Uma abordagem que poderia funcionar seria usar marcadores genéticos como assistência no cruzamento, "para selecionar as partes boas", ele disse.
Tradução: Paulo Migliacci




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