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 Franceses exibem 1º coração artificial orgânico
27 de outubro de 2008 17h53 atualizado às 18h55

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Pesquisadores franceses apresentaram o primeiro coração totalmente artificial fabricado com materiais orgânicos, informa o diário espanhol El País. Os cientistas esperam que a novidade, apresentada após 15 anos de trabalhos secretos, possa ser utilizada em transplantes nos próximos dois anos.

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O professor Alain Carpentier - diretor do projeto e médico do hospital Georges Pompidou de Paris - afirmou que o novo coração resolve problemas importantes identificados em próteses cardíacas artificiais como o desenvolvimento de coágulos quando o sangue entra em contato com materiais que não são naturais. Estes coágulos multiplicam o risco de acidentes cardiovasculares (AVCs).

"Os materiais biológicos utilizados no órgão são hemo-compatíveis, limitando o perigo de coagulação", confirmou Carpentier. "O órgão dará uma vida normal aos pacientes que sofreram um infarto ou que não têm acesso a um coração", assegurou. O custo da pesquisa foi de 55 milhões de euros.

O professor explicou que as próteses não regulam automaticamente a atividade cardíaca, sofrendo modificações por causa do movimento do usuário. Porém, o novo coração conta com um sistema de sensores eletrônicos e um sistema eletromecânico completo que detecta a posição em que o paciente se encontra - de pé, sentado ou deitado. Ele também controla a pressão arterial, adaptando a freqüência cardíaca com o fluído para as diferentes situações. "A idéia é que a pessoa possa correr sem se preocupar em regular a prótese", explicou Carpentier.

Segundo o professor Philippe Pouletty, que também participou do projeto, o órgão artificial superou as expectativas em testes com animais, principalmente em vacas, e em outras simulações realizadas com sistemas artificiais. "Queremos testar em seres humanos, mas todo o processo técnico e burocrático deve levar uns dois anos", aponta.

Limitações
O coração artificial terá vida útil inicial de pelo menos cinco anos, mas os pesquisadores asseguram que o tempo deve aumentar para 20 anos. A principal limitação é que o sistema de alimentação funciona com baterias que precisam ser recarregadas. "Atualmente, as baterias duram entre cinco e seis horas, mas a autonomia será maior com os progressos técnicos que certamente ocorrerão antes dos primeiros transplantes", completou.

Redação Terra