O Aerosteon riocoloradensis, batizado de "ossos de ar do rio Colorado", tinha um sistema de respiração parecido com o das aves
Foto: Reuters
Os restos de um espécime de dinossauro carnívoro que foram encontrados ao longo do rio Colorado, na Argentina, indicam que o animal pré-histórico tinha um sistema de respiração parecido com o das aves, informou a Sociedade National Geographic à agência EFE. Segundo os cientistas, o Aerosteon riocoloradensis, batizado de "ossos de ar do rio Colorado", possuia bolsas de ar dentro da cavidade corporal.
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Análises feitas ao longo de vários anos identificaram que as vértebras, clavículas e ossos da bacia apresentavam pequenas aberturas que se estendiam até espaços maiores e buracos, locais que os especialistas acreditam que fossem cobertos por uma fina camada de tecido macio, cheios de ar, quando o animal estava vivo.
De acordo com os paleontólogos, essas câmaras integram um processo chamado de pneumatização, em que as bolsas do lado de fora dos pulmões invadem os ossos. O processo é uma característica do sistema respiratório das aves e foi identificado também entre os saurópodes, outra espécie de dinossauros com longo pescoço e cauda comprida.
"As aves têm um sistema de respiração que é único entre os animais que vivem na terra", explicou o paleontólogo Jeffrey Wilson, da Universidade de Michigan e líder da equipe de paleontólogos. "No lugar dos pulmões, as aves possuem um sistema com bolsas que bombeiam o ar através dos órgãos respiratórios", afirmou. Para ele, a característica faz com que as aves voem mais alto e mais rápido que os morcegos, por exemplo. No resto dos vertebrados, os pulmões se expandem e contraem para manter o fluxo de ar.
Wilson publicou um artigo com os resultados da pesquisa, em conjunto com os pesquisadores Ricardo Martínez e Óscar Alcober, da Universidade Nacional de San Juan (Argentina), na revista Public Library of Science (PLoS ONE).
Transpiração
A espécie, que podia atingir 10 m de comprimento e pesar o mesmo que um elefante grande, também tinha penas, de acordo com os paleontólogos. Além disso, não tinha as glândulas de transpiração que os pássaros possuem.
Paul Sereno, pesquisador da National Geographic, explicou que as bolsas aéreas do dinossauro estão em locais pouco comuns. "Eles vêm desde a parte superior do corpo até às costelas da barriga. Parece que o animal tinha um sistema de tubos de ar por baixo da pele", avalia.
Para Sereno, é provável que a espécie possa ter utilizado o sistema de ar sob a pele para liberar o excesso de calor do corpo, podendo também reduzir o peso da massa e tornar os pulmões mais eficientes.
Atualmente, a maioria dos paleontólogos acredita que as aves evoluíram a partir de dinossauros carnívoros pequenos com penas - as primeiras aves que se conhece são muito parecidas com estes dinossauros.
- Redação Terra


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