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 Engenharia genética em embrião desperta críticas
17 de maio de 2008 08h35 atualizado às 08h36

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Pesquisadores de Nova York criaram o que se acredita seja o primeiro embrião humano geneticamente alterado, e os críticos imediatamente criticaram a empreitada como um primeiro passo na direção dos "bebês projetados". Mas os pesquisadores, da Universidade Cornell, disseram que utilizaram um embrião anormal, que jamais poderia ter se desenvolvido como bebê.

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"Esse trabalho específico foi realizado com um embrião que jamais seria viável", disse o Dr. Zev Rosenwaks, diretor do Centro de Medicina Reprodutiva e Infertilidade do hospital NewYork-Presbyterian/Weill Cornell. Ele disse que o propósito do trabalho era a pesquisa com células-tronco.

Isso não impede que algumas pessoas critiquem o trabalho, sob a alegação de que estão sendo desenvolvidas técnicas que poderiam ser utilizadas por outros cientistas para criar bebês com genes modificados que os tornariam mais inteligentes, altos, atléticos ou bonitos. Os críticos também alegam que deveria ter havido mais discussão pública do projeto.

"É uma importante fronteira ética que os cientistas vinham respeitando", disse Marcy Darnovsky, diretora associada do Centro de Genética e Sociedade, uma organização de fiscalização da ciência sediada em Oakland, Califórnia. "Esses cientistas decidiram, sem consultar ninguém, que atravessariam essa fronteira, sem qualquer discussão pública".

Os cientistas de Cornell colocaram um gene de proteína fluorescente no embrião humano unicelular. O embrião tinha três, em lugar de dois, conjuntos de cromossomos. Depois que o embrião passou por três dias de divisão, todas as células que ele continha brilhavam, disse Rosenwaks.

Segundo ele, o objetivo do trabalho era determinar se um marcador fluorescente seria conduzido às células resultantes da divisão, o que permitiria que alterações genéticas fossem acompanhadas ao longo do processo de divisão de células.

Os resultados do trabalho foram apresentados no final do ano passado em uma reunião da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. Mas não haviam atraído qualquer atenção até o final de semana, quando o Times, de Londres, publicou um artigo depois que o trabalho foi mencionado em uma resenha do governo britânico sobre a tecnologia do setor.

Rosenwaks disse que a pesquisa foi aprovada por um conselho de revisão em seu centro médico, e que as verbas que a financiam são privadas, de modo que não houve violação das restrições federais norte-americanas a pesquisas envolvendo embriões humanos.

Os médicos já introduzem genes diferenciados em pacientes como parte de terapias genéticas de tratamento. Mas essas mudanças genéticas em geral não podem ser transferidas a futuras gerações porque só afetam certos tipos de células do corpo, como os glóbulos sangüíneos e as células musculares. Mudanças genéticas feitas em um embrião seriam teoricamente herdáveis, caso o embrião viesse a ser gestado.

Um porta-voz do Instituto Nacional da Saúde disse que o trabalho de Cornell não poderia ser classificado como terapia genética sujeita a fiscalização federal porque um embrião em tubo de ensaio não é considerado um ser humano, sob as normas vigentes.

O Dr. Mark Kay, especialista em terapia genética da Universidade de Stanford, disse o trabalho da Cornell não representa um imenso avanço tecnológico, porque os pesquisadores usaram um vírus modificado, uma técnica comum na terapia genética, para conduzir o gene ao embrião.

Kay disse que modificações genéticas em embriões podem ter utilidade científica, desde que não sejam usadas para produzir crianças projetadas. "Pessoalmente, nada vejo de errado com o uso desses embriões e técnicas de transferência de genes para o estudo de aspectos importantes do desenvolvimento humano", disse.

Cientistas do Oregon reportaram em 2001 que haviam produzido um bebê macaco contendo um gene de fluorescência de uma água-viva. Eles o fizeram modificando geneticamente o óvulo da fêmea antes da fertilização, e não por alteração de um embrião já fertilizado.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
The New York Times