Notícias » Ciência e Meio Ambiente » Saúde » Saúde

 Teste de vacina contra Sars traz bons resultados
31 de março de 2004 16h00

Uma vacina experimental contra a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, sigla em inglês) testada em camundongos teve resultados promissores. A afirmação é de cientistas do Centro de Pesquisas sobre Vacinas do Instituto Médico americano NIAID (Bethesda, EUA) cujos trabalhos deram origem a um relatório que será publicado na edição de amanhã da revista científica britânica Nature.

Gary Nabel e seus colegas elaboraram uma vacina com DNA codificado para uma proteína da superfície do envoltório do coronavírus causador da Sars, doença também conhecida como pneumonia asiática. O vírus se serve desta proteína para ter acesso às células e infectá-las.

O pequeno segmento de material genético (DNA) utilizado para preparar a vacina é insuficiente por si só para reproduzir o vírus e, portanto, a infecção. Mas segundo os autores da pesquisa, permite, por outro lado, estimular uma resposta imunológica protetora no indivíduo vacinado, cujas células produzem anticorpos.

Os cientistas também modificaram o segmento de DNA utilizado, de forma a serem minimizados os riscos de recombinação com o programa genético do vírus da Sars ou com outro coronavírus. O princípio do protótipo de vacina é fazer com que as células do organismo tratado produzam proteínas similares às que se encontram na superfície do vírus, a fim de provocar no sistema imunológico uma reação de defesa capaz de reconhecer e neutralizar o vírus da pneumonia atípica.

Segundo o doutor Gary Nabel, esta vacina reduziu de forma espetacular o nível de vírus nos pulmões de ratos infectados, uma redução de mais de um milhão de vezes. "Trata-se de um primeiro passo importante rumo ao desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a Sars para os seres humanos", continuou o especialista.

O sistema imunológico responde normalmente a um ataque de elementos estranhos, produzindo anticorpos e um contra-ataque de células que os envolvem por fagocitose. Os cientistas estão preparando agora outras experiências destinadas a estudar a segurança e a inocuidade da vacina e elevar sua capacidade de induzir respostas imunológicas nos seres humanos.

A epidemia de Sars afetou 8.098 pessoas e matou 774 em todo o mundo, a maioria na Ásia, entre 1º de novembro de 2002 e 31 de julho de 2003, segundo números da Organização Mundial da Saúde (OMS).

AFP
AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.