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Carência de zinco, ferro, vitamina A afeta um terço do planeta

23 de março de 2004 18h39

Centenas de milhões de pessoas no mundo todo sofrem problemas físicos e intelectuais pela deficiência de vitaminas e minerais como o zinco em suas dietas, segundo dois relatórios divulgados hoje pela Universidade das Nações Unidas (UNU).

No caso do zinco, 20% da população mundial não incluem em sua dieta diária este mineral que, segundo o médico mexicano Juan Rivera, é responsável pelo aumento de doenças gastro-intestinais e respiratórias na infância de países em desenvolvimento. "Uma das funções do zinco é a replicação celular por isso é essencial nas fases de crescimento da infância assim como nos sistemas que requerem uma rápida substituição de células como o trato respiratório onde se renovam a cada três dias", disse Rivera.

"Os estudos demonstram, sem margem para dúvida, que a falta de zinco faz que as crianças cresçam menos, tenham um desenvolvimento neuronial menor, andem mais doentes e estejam expostos a um maior risco de morte", acrescentou Rivera, que também é diretor de Nutrição e Saúde do Instituto Nacional de Saúde Pública de Cuernavaca (México).

Os países cuja população se encontra em maior risco de contar com uma dieta deficiente em zinco são os do sul e sudeste da Ásia, África subsaariana, América Central e América do Sul. O relatório, apresentado ao Comitê de Nutrição da ONU, afirma que a magnitude e problemas associados pela deficiência de zinco "não foram entendidas em toda sua magnitude no passado", e assinala formas de enfrentar a carência deste mineral nos países em desenvolvimento.

Rivera identifica várias causas pelas quais não se conta com suficiente zinco no organismo. "Em primeiro lugar sua baixa ingestão porque os alimentos fortes, que são carnes vermelhas e mariscos, especialmente conchas, não são acessíveis para a população mais pobre. E embora cereais e leguminosas tenham zinco, contêm também um ácido que inibe sua absorção por parte do organismo".

Rivera assinala que é o caso das povoações da América Central, onde são consumidas grandes quantidades de milho e feijão mas muito poucos derivados animais, por isso a população sofre uma carência de zinco. "Além disso, durante infecções, como diarréias, o zinco não é absorvido pelo corpo e se sofrem perdas constantes do mineral", acrescenta.

Os dados assinalam que as taxas de mortalidade infantil baixam 50% ou mais quando se proporciona zinco às crianças em situações de alto risco. Para solucionar estes problemas, o estudo da UNU propõe incorporar o zinco em alimentos, da mesma forma que nos países em desenvolvimento os produtos alimentícios estão fortificados com minerais como o ferro e vitaminas.

"É muito barato fazê-lo assim e através da fortificação se pode chegar à infância, à terceira idade e às mulheres grávidas que são os grupos de maior risco", explica Rivera.

O médico Venkatesh Mannar, presidente da Iniciativa Micronutriente da ONU, considera que a fortificação de alimentos é também a solução do problema da deficiência de vitaminas e minerais que afeta um terço da população mundial.

"As piores deficiências são a carência de ferro e vitamina A. O primeiro causa anemia, partos difíceis nas mulheres grávidas e incapacidades de aprendizagem na infância, enquanto que a segunda é responsável pela cegueira infantil e aumento na gravidade das diarréias".

"Proporcionar um comprimido de vitamina A à população afetada, cujos efeitos duram 6 meses, custa só 2 centavos enquanto que os suplementos de ferro custam menos de 20 centavos. Fortificar alimentos é inclusive mais barato", explicou Mannar.

Mannar considera que em cinco anos se poderia eliminar em nível mundial as carências de vitaminas e minerais "se existisse vontade política de fazê-lo".

EFE
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