Wilmut, do Instituto Roslin de Edimburgo (Escócia), publicou o artigo depois que, no dia 12, cientistas sul-coreanos anunciassem que clonaram pela primeira vez embriões humanos com o fim de acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos mediante transplantes de célula-mãe. O cientista escocês incidiu hoje em que é propício a um processo de clonagem que não repercuta em problemas éticos, embora foi duramente criticado por organizações pró-vida.
Segundo explicou Wilmut, o clone com o qual se criaria um bebê não seria o duplicado de um adulto, mas teria sua origem em um embrião criado em um processo de fertilização "in vitro". "Primeiro, se trataria de criar um embrião ordinário mediante o processo "in vitro". Depois, se retirariam células-mãe do embrião e se corrigiriam os genes defeituosos mediante engenharia genética, mas essas células-mãe embrionárias não podem ser utilizadas para reconstituir o embrião", apontou.
"Para fazê-lo, se pegaria o núcleo de uma dessas célula-mãe embrionárias corrigidas e as trasfeririam a um óvulo; o embrião resultante seria o gêmeo idêntico do original, mas com o gene defeituoso corrigido em cada uma de suas células", explicou.
O cientista escocês indicou que, depois, o embrião seria "immplantado no útero de sua mãe" e que, embora o menino seria um clone humano, "seria o clone de um novo indivíduo, não um clone de um de seus pais".
Wilmut afirmou que, por isso, "este tipo de clonagem não provocaria os mesmos problemas éticos e sociais que a clonagem reprodutiva", à qual o cientista sempre se opôs. No entanto, indicou que opôr-se à clonagem terapêutica, que permitiria utilizar embriões humanos para criar tecidos utilizáveis contra doenças graves, seria "imoral". "Acho que a clonagem pode oferecer tantos benefícios que seria imoral não fazê-la", opinou Wilmut, que pediu autorização para clonar embriões humanos com o fim de curar doenças neurológicas.
Mas um porta-voz da Igreja da Escócia, Donald Bruce, disse que o que defende Wilmut é "ilegal em muitos países, como o Reino Unido", e mostrou-se "surpreso" por sua opinião "irresponsável" a favor de "clonar bebês".
Ian Wilmut criou no dia 5 de julho de 1996 a Dolly, o primeiro animal clonado, a partir de uma célula adulta de outra ovelha. Dolly morreu em fevereiro de 2003, aos seis anos de idade, depois que os cientistas a sacrificassem devido a uma infecção pulmonar que sofria e após sofrer vários problemas, como um processo de envelhecimento mais acelerado que o normal.




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