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 Pai da Dolly apóia clonagem humana para doenças
18 de fevereiro de 2004 17h49

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O cientista escocês Ian Wilmut, criador da ovelha clonada Dolly, o primeiro animal clonado, mostrou-se hoje propício à clonagem com o objetivo de corrigir doenças genéticas. "Embora continue me opondo frontalmente à clonagem reprodutiva, considero que produzir bebês clonados seria desejável em algumas circunstâncias, como prevenir doenças genéticas", escreve Wilmut no último número da revista New Scientist.

Wilmut, do Instituto Roslin de Edimburgo (Escócia), publicou o artigo depois que, no dia 12, cientistas sul-coreanos anunciassem que clonaram pela primeira vez embriões humanos com o fim de acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos mediante transplantes de célula-mãe. O cientista escocês incidiu hoje em que é propício a um processo de clonagem que não repercuta em problemas éticos, embora foi duramente criticado por organizações pró-vida.

Segundo explicou Wilmut, o clone com o qual se criaria um bebê não seria o duplicado de um adulto, mas teria sua origem em um embrião criado em um processo de fertilização "in vitro". "Primeiro, se trataria de criar um embrião ordinário mediante o processo "in vitro". Depois, se retirariam células-mãe do embrião e se corrigiriam os genes defeituosos mediante engenharia genética, mas essas células-mãe embrionárias não podem ser utilizadas para reconstituir o embrião", apontou.

"Para fazê-lo, se pegaria o núcleo de uma dessas célula-mãe embrionárias corrigidas e as trasfeririam a um óvulo; o embrião resultante seria o gêmeo idêntico do original, mas com o gene defeituoso corrigido em cada uma de suas células", explicou.

O cientista escocês indicou que, depois, o embrião seria "immplantado no útero de sua mãe" e que, embora o menino seria um clone humano, "seria o clone de um novo indivíduo, não um clone de um de seus pais".

Wilmut afirmou que, por isso, "este tipo de clonagem não provocaria os mesmos problemas éticos e sociais que a clonagem reprodutiva", à qual o cientista sempre se opôs. No entanto, indicou que opôr-se à clonagem terapêutica, que permitiria utilizar embriões humanos para criar tecidos utilizáveis contra doenças graves, seria "imoral". "Acho que a clonagem pode oferecer tantos benefícios que seria imoral não fazê-la", opinou Wilmut, que pediu autorização para clonar embriões humanos com o fim de curar doenças neurológicas.

Mas um porta-voz da Igreja da Escócia, Donald Bruce, disse que o que defende Wilmut é "ilegal em muitos países, como o Reino Unido", e mostrou-se "surpreso" por sua opinião "irresponsável" a favor de "clonar bebês".

Ian Wilmut criou no dia 5 de julho de 1996 a Dolly, o primeiro animal clonado, a partir de uma célula adulta de outra ovelha. Dolly morreu em fevereiro de 2003, aos seis anos de idade, depois que os cientistas a sacrificassem devido a uma infecção pulmonar que sofria e após sofrer vários problemas, como um processo de envelhecimento mais acelerado que o normal.

EFE
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