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 Clonagem humana divide os Estados Unidos
13 de fevereiro de 2004 13h58

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A clonagem humana divide os Estados Unidos, onde seus críticos desejam uma proibição total, enquanto seus defensores propõem autorizar esta técnica unicamente para fins terapêuticos. O debate voltou à cena depois que pesquisadores sul-coreanos clonaram pela primeira vez no mundo células-mãe maduras de embriões humanos, no que parece ser um avanço rumo ao desenvolvimento de novos métodos para tratar um amplo espectro de doenças degenerativas, como o câncer e o mal de Alzheimer.

"A era da clonagem humana parece ter chegado: agora foram clonados blastócitos (óvulos fecundados) para uma experiência, logo serão clonados blastócitos para criar bebês", inquietou-se o médico Leon Kasss, presidente do Conselho sobre Bioética para o presidente americano, George W. Bush.

Ao contrário, os partidários da clonagem com fins terapêuticos comemoraram esta primícia mundial. "O objetivo desta pesquisa é curar os pacientes utilizando suas próprias células, feitas sob medida", rebateu Daniel Perry, presidente da Coalizão para o Progresso da Pesquisa Médica (CAMR, sigla em inglês). "Há uma linha clara que separa a clonagem reprodutiva da clonagem com fins terapêuticos e (esta) é sua implantação. Sem ela, nenhuma vida humana pode ser criada", afirmou.

A indústria da biotecnologia também comemorou este "avanço significativo" para a medicina. "Embora esta tecnologia clone células, não se trata de uma clonagem reprodutiva humana. O objetivo é produzir tecidos e células que possam se somar e não bebês", declarou Carl Feldbaum, presidente da Organização da Indústria da Biotecnologia (BIO).

No ano passado, a clonagem humana pareceu virar realidade, quando a seita raeliana informou o nascimento de dois bebês clonados, mas as declarações, feitas pela empresa Clonaid, em Las Vegas (Nevada, oeste dos EUA), financiada pela seita, foram postas em dúvida por falta de provas científicas.

O governo de George W. Bush se opõe duramente à clonagem humana. Em 2001, o presidente americano proibiu a utilização de fundos públicos para a pesquisa sobre células criadas a partir de embriões humanos, salvo as células-mãe cultivadas antes do verão (boreal) de 2001, mas o setor privado não se preocupou com esta proibição.

Os Estados Unidos ainda não resolveram a via jurídica para controlar a clonagem humana. Em fevereiro de 2003, a Câmara de Representantes votou um texto que proíbe a clonagem com fins reprodutivos e terapêuticos, mas este texto ainda não foi votado no Senado, devido a fortes divergências. Dois projetos de lei deveriam ser votados na Câmara alta: um é idêntico ao da Câmara de Representantes e outro propõe autorizar a clonagem com fins terapêuticos e para pesquisa.
AFP
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