A imagem mostra embriões clonados em estágio de divisão celular na Universidade Nacional de Seoul
12 de fevereiro de 2004
Foto: AP
Opine sobre a clonagem de embriões humanos
A experiência, o primeiro registro publicado da clonagem de células-mãe humanas, significa que a chamada terapia de clonagem deixou de ser apenas uma teoria para se transformar em realidade.
Os defensores da clonagem para fins médicos dizem que o procedimento pode revolucionar a medicina, oferecendo tratamento altamente eficiente para doenças como o mal de Parkinson e a diabetes. A técnica poderia permitir, inclusive, a criação de órgãos para serem usados em transplantes.
As células-mãe retiradas dos pequenos embriões, conhecidos como blastócitos, têm o potencial de se transformar em qualquer tipo de célula ou tecido do corpo.
"Nossa pesquisa abre a porta para o uso dessas células em transplantes", afirmou em um comunicado Woo Suk Hwang, da Universidade Nacional de Seul, que comandou o estudo.
Pessoas contrárias à técnica, no entanto, dizem que ela pressupõe a destruição do embrião humano e que é, portanto, antiética. O governo do presidente norte-americano, George W. Bush, e aliados dele no Congresso dos EUA tentam proibir o procedimento tanto no país quanto internacionalmente.
Em um artigo escrito na revista Science, Hwang e seus colegas disseram ter criado o clone usando células do cumulus e óvulos doados por mulheres sul-coreanas.
As células do cumulus são encontradas nos ovários e, em algumas espécies, deram bons resultados nas experiências de clonagem. Os cientistas já clonaram ovelhas, vacas, ratos e outras espécies, mas tiveram problemas na clonagem de seres humanos.
No ano passado, uma empresa norte-americana, a Advanced Cell Technology, afirmou ter criado um embrião humano clonado. A Advanced relatou, porém, que a estrutura não cresceu o suficiente para fornecer células-mãe. Esse tipo de célula é encontrado por todo o corpo e funciona como uma matriz das outras células. Mas as células-tronco adultas são difíceis de serem achadas e não é fácil trabalhar com elas.
Especialistas elogiaram o trabalho de Hwang e sua equipe. "Esse é um estudo impressionante. Obviamente, estamos diante de um marco histórico da medicina", afirmou Robert Lanza, que dirige as pesquisas de clonagem na Advanced Cell Technology.
Junto com o pesquisador sul-coreano trabalhou o cientista Jose Cibelli, da Universidade Estadual de Michigan (EUA).

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