Desde que a epidemia de Sars foi declarada extinta, em julho de 2002, a China já notificou um caso confirmado de Sars e dois casos suspeitos. Ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando 800 pessoas morreram em 31 países por causa da doença, desta vez não há sinais de que exista um "supertransmissor", e tampouco há pessoas em pânico, usando máscaras. Os médicos se perguntam se o vírus ficou mais fraco neste período.
Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) não baixou a guarda, e na quarta-feira técnicos visitaram um mercado de animais vivos no sul da China, recolhendo amostras de fezes de galinhas para tentar descobrir como a Sars é transmitida - algo que ainda intriga os cientistas.
Um importante pesquisador do assunto na Universidade de Hong Kong disse que a atual cepa do vírus da Sars não é proveniente do vírus do ano passado, que infectou 8 mil pessoas em todo o mundo. Aparentemente, segundo o microbiólogo Guan Yi, a nova versão é menos contagiosa. "O vírus deste ano é de uma nova cepa. Ele se comporta como um vírus em um animal, e não é bem adaptado aos humanos, então sua capacidade de transmissão é baixa", afirmou ele. "Por isso, quem entrou em contato com as vítimas na China não foi infectado".
O medo da Sars na Ásia acabou ofuscado nesta semana com a ameaça de uma gripe típica de aves, que segundo a OMS já matou três pessoas no Vietnã. As possíveis vítimas chinesas da Sars (uma garçonete de 20 anos e um investidor de 35) estão sendo tratadas e não têm mais febre. As 128 pessoas que seguramente tiveram contato com elas não apresentaram sintomas. O único caso confirmado até agora é de um produtor de TV de 32 anos, que teve alta do hospital na semana passada.
Segundo Robert Breiman, chefe da equipe da OMS que investiga a Sars na Província de Guangdong, nenhum dos três pacientes esteve "nem perto de ficar tão doente quanto os pacientes do ano passado". Ele admitiu que talvez o vírus deste ano seja de uma cepa diferente, menos violenta, mas disse que ainda é cedo para conclusões. "No ano passado, entre os milhares de casos havia muita gente que não transmitiu e muita gente que teve uma doença razoavelmente moderada. Então pode ser só uma coisa matemática".
Segundo ele, não está descartada uma nova epidemia. "É possível que os mesmos tipos de incidentes supertransmissores que ocorreram no ano passado ocorram em algum momento neste ano".
Em novembro de 2002, um homem de Foshan, a 135 quilômetros de Hong Kong, começou a disseminar a doença que causava febre e tosse a médicos e enfermeiros que o tratavam. Só quatro meses depois ele foi publicamente identificado como o primeiro paciente com Sars. Naquela ocasião, a China já tinha 34 mortos e 800 doentes.
A chance de uma nova epidemia não está alterando a rotina dos chineses até agora. A imprensa, por outro lado, se mostra obcecada com novos casos, mesmo que apenas suspeitos.
Outra diferença neste ano é que as viagens do ano-novo lunar, que cai em 23 de janeiro, estão sendo programadas normalmente, segundo a imprensa local. Estima-se que os 1,3 bilhão de chineses façam 1,89 bilhão de deslocamentos por ferrovias, estradas e aviões durante esta temporada de férias, que dura 40 dias e começou no dia 7. Os especialistas dizem que o confinamento dos meios de transporte favorece a disseminação da Sars.

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