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 Desvendada resistência à quimioterapia em câncer
10 de fevereiro de 2008 15h21 atualizado em 11 de fevereiro de 2008 às 07h43

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Um estudo realizado por pesquisadores americanos mostrou porque certas pacientes que sofrem de câncer no ovário se tornam, após certo tempo de tratamento, resistentes à quimioterapia à base de platina, de acordo com um estudo publicado na revista britânica Nature.

Os genes BRCA1 e BRCA2, que têm capacidade de reparar o DNA - protegendo as células de agentes agressivos, principalmente cancerígenos -, podem predispor ao câncer de mama e de ovário, em caso de mutação genética. De tais "erros" genéticos surgem cerca de 10% dos cânceres de ovário, segundo o Centro de Pesquisa sobre o Câncer Fred Hutchinson, em Seattle (Washington, noroeste), que realizou a pesquisa.

Desta forma, se os tumores do ovário respondem bem inicialmente à quimioterapia à base de platina, 70 a 80% das pessoas tratadas acabam desenvolvendo uma resistência a esses medicamentos, de acordo com o estudo.

Assim, de acordo com a equipe coordenada por Toshiyasu Taniguchi, quando são expostas a cisplatina, certas células de câncer do ovário desenvolvem mutações secundárias do gene BRCA2, que lhes devolvem a capacidade de reparar o DNA e permitem assim que tumor se torne resistente aos ataques da quimioterapia.

Elizabeth Swisher, diretora do programa de prevenção do câncer de mama e de ovário da Universidade de Washington, afirmou que "nunca havia visto" esse mecanismo de resistência à quimioterapia. De acordo com ela, isso poderá ajudar a "encontrar novos meios de fazer com que os tumores voltem a ser sensíveis à quimioterapia".

Os pesquisadores esperam poder explicar, graças a essa descoberta, a resistência aos tratamentos de inúmeros cânceres, como de mama, próstata e pâncreas.

A Nature publica paralelamente os trabalhos da equipe do professor Alan Ashworth (Institute of Cancer Research, Londres) sobre o câncer de mama e o gene alterado BRCA2, que apresentam também esse mecanismo de adaptação (restauração da capacidade reparar o DNA) das células cancerígenas para resistir à quimioterapia.

Cerca de 5% dos casos de câncer de mama acontecem devido à anomalias genéticas hereditárias que predispõem a doença, de acordo com esta equipe.

"Essa descoberta deverá ajudar a encontrar meios para contrapor este problema de resistência", considera Ashworth, que assinala que "a resistência às medicamentos é um problema comum em todos os tipos de câncer".

AFP
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