A suposta múmia de Nefertiti tinha sido descoberta em 1898
Foto: AP
Merghani explicou que "a pélvis da múmia não corresponde a de uma pessoa adulta como Nefertiti, que deu a luz pelo menos em seis ocasiões". Também ressaltou que ao estudar a múmia "se apreciam vestígios de dentes do siso só no lado esquerdo das mandíbulas superior e inferior", o que também aponta a alguém mais jovem que a esposa do faraó Akenatón, falecida aos trinta anos.
Segundo a arqueóloga egípcia, o linho que envolve a múmia confirma que é de um jovem e não da rainha, já que "os sacerdotes mumificavam de forma diferente homens e mulheres". O secretário-geral do Conselho Superior de Antigüidades do Egito, o arqueólogo Zahi Hawas, especificou que as perfurações nas orelhas da múmia não são uma prova concludente para demonstrar que o corpo pertence a uma mulher, já que na época faraônica era habitual que os homens também as fizesem.
Má conservação
A forma do crânio e sua mandíbula, semelhantes à do faraó Tutankamon, são outra das razões que excluem a possibilidade que esse corpo seja de Nefertiti, acrescentou Hawas. O especialista acrescentou que a ausência dos genitais na múmia também não é um referencial importante para determinar seu sexo, já que outras múmias, como a de Tutankamon, também tinham perdido seus órgãos sexuais, devido a má conservação do corpo.
As provas levantadas por Hawas, que há 34 anos trabalha como egiptólogo, corroboram as grandes reservas expressadas há dois meses quando Joann Fletcher anunciou que o corpo correspondia a Nefertiti, teoria que seu colega egípcio catalogou então de "completamente errônea", porque "a limitada experiência dessa pesquisadora não lhe permite identificar uma múmia". A polêmica sobre a identidade desta múmia começou em junho passado quando a arqueóloga, da Universidade de York (Inglaterra), anunciou que após intensas pesquisas tinha chegado à conclusão de que a múmia pertencia à mítica rainha.
"Após doze anos de busca, esta descoberta é talvéz a experiência mais extraordinária da minha vida", afirmou. As autoridades egípcias tinham permitido a Fletcher e sua equipe examinar essa múmia em detalhes e analisar os restos encontrados junto a ela, como alguns fragmentos de brincos. A múmia tinha sido descoberta por especialistas franceses em 1898 em uma câmara do túmulo do rei Amenhotep II, sem que então lhe fosse prestada muita atenção, por encontrar-se em más condições de conservação.
O interesse da egiptóloga britânica por Nefertiti começa com o conhecido busto da rainha exposto num museu de Berlim, e em torno da qual houve uma grande polêmica no Egito, em junho passado, devido a uma montagem que o mostra incrustado sobre um corpo nú. O busto foi descoberto em 1912 nas ruínas de Tel El-Amarna, a capital criada por Akenatón, por uma equipe de arqueólogos que trabalhavam para a sociedade alemã do Oriente, e desde então é considerada a mais famosa peça arqueológica egípcia, junto à máscara de ouro do faraó Tutankamon.
A imagem de Nefertiti, esposa do faraó Akenatón da XVIII dinastia, que governou entre 1539 e 1075 a.C., foi gravada em numerosas esculturas, papiros e pinturas da época, embora seu busto em pedra caliça exibido no Museu de Berlim é talvez uma de suas imagens mais conhecidas.

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