Imagem reconstruída por computador mostra o possível rosto da famosa rainha egípcia Nefertiti
13 de agosto de 2003
Foto: AP
Nefertiti, cujo nome significa "a bela chegou", governou durante ano de 1382 a.C. junto com seu marido, Aquenaton, e foi madrasta do lendário faraó-menino Tutancâmon, cuja mãe, Kyia, também teve templos e palácios consagrados a si e gozava de privilégios, mas toda a realeza e todo o reconhecimento público iam para Nefertiti.
Joann Fletcher, especialista em mumificação na Universidade de York, Inglaterra, comandou a expedição e encontrou a múmia em uma câmara secreta que fica na tumba KV35, no Vale dos Reis, em Luxor. Sua tumba foi encontrada perto da do rei Tut, o adolescente que governou o país no século 14 antes de Cristo.
Fletcher chegou à tumba durante uma expedição em junho de 2002, depois de identificar no local uma peruca em estilo núbio que costumava ser usada pelas mulheres da nobreza na época de Aquenaton. A peruca estava perto de três múmias - duas delas de mulheres, e a outra de um menino. Uma das múmias, identificada preliminarmente como Nefertiti, conservava o pescoço como o de um cisne, comparável à imagem que se tem da rainha, apesar dos golpes que ela recebeu no rosto após a morte.
A equipe de Fletcher encontrou na múmia outros indícios de que se trata da rainha - as marcas deixadas por uma tiara, uma cabeça raspada e uma orelha com dois furos - diz a história que só duas nobres egípcias usavam dois brincos na mesma orelha, e uma delas era Nefertiti. Ao examinar a múmia, em fevereiro deste ano, os cientistas descobriram que o braço direito estava dobrado, ainda segurando um cetro real. Só faraós e rainhas tinham o direito de serem sepultados nessa posição. Essas evidências, somadas às jóias encontradas na cavidade peitoral da múmia, levaram Fletcher a acreditar que realmente se tratava de Nefertiti.
Polêmica
A verdadeira identidade da múmia ainda não foi comprovada e já é alvo de polêmica. O diretor do Conselho Supremo de Antigüidades do Egito, Zahi Hawas, negou que a múmia de Nefertiti tenha sido descoberta.
"A teoria de Fletcher é completamente equivocada e sua limitada experiência não lhe permite identificar uma múmia", disse Hawas em declarações à agência egípcia de notícias, Mena. "A múmia de Nefertiti nunca poderia ser encontrada no Vale dos Reis devido às hostilidades entre a rainha e o último faraó da dinastia de Amarna, Hor Moheb, que não teria permitido que ela fosse enterrasse ali", acrescentou Hawas.
"A doutora Joann Fletcher estava ciente de que havia três múmias nesta tumba e que, somente após o estudo científico, se teria evidência necessária para sugerir que uma delas, a "mais nova", pudesse ser de Nefertiti. O que nós podemos dizer é que Nefertiti é a melhor candidata para a identidade desta múmia", declarou, na ocasião da divulgação, um dos integrantes da equipe de Fletcher, Stephen Buckley, ao Portal Terra.
A imagem de Nefertiti foi reproduzida em muitas esculturas, papiros e pinturas de sua época, mas seu busto, hoje exposto no Museu de Berlim, é talvez sua imagem mais conhecida.






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