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 Morre chileno que usava maconha contra câncer
21 de abril de 2003 16h11

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O advogado chileno Ricardo Cogwel Vega, que ficou conhecido por defender o uso terapêutico da maconha contra as dores do câncer que sofria, morreu no sábado, três dias após fumar seu último cigarro feito com a planta.

O funeral de Cogwel, que trocou a morfina, receitada pelos médicos, pela maconha, foi realizado hoje, segunda-feira, na localidade costeira de Llolleo, 115 quilômetros a Sudoeste de Santiago, informou seu filho Fernando, que disse que seu pai "esteve feliz até o último minuto".

No dia 1º de março, quando, segundo os médicos, o advogado tinha apenas mais dez dias de vida, Cogwel deu uma festa, à qual compareceram centenas de pessoas, com a intenção de despedir-se da vida "comendo, tomando vinho e fumando maconha".

Com 51 anos e pai de sete filhos, Ricardo Cogwel lançou, no mesmo dia, uma campanha destinada a legalizar a maconha para fins terapêuticos, com base em sua experiência pessoal, já que a droga era a única coisa que aliviava a dor causada por um câncer no estômago.

A família destacou que ao optar pelo uso da maconha, Cogwell superou em mais de um mês o prazo de vida dado pelos médicos, embora, ao morrer, estivesse sem forças para falar ou segurar um cigarro de maconha e pesasse apenas 30 quilos.

No entanto, segundo Juan Quiroz, um de seus amigos, Cogwel manteve seu bom humor até o fim e, na noite de quinta-feira, "ainda ria com brincadeiras".

A viúva, Sonia Salas, contou que seu marido quis fazer uma espécie de "reality show" de seus últimos dias, no qual algum canal iria filmá-lo enquanto agonizava e fumava, idéia da qual ela e seus filhos conseguiram dissuadi-lo.

Antes de morrer, Cogwel fez sua família e seus amigos prometerem que darão prosseguimento à cruzada para a legalização do uso terapêutico da maconha.

"Eu nunca experimentei. Apoiei meu marido porque sabia que lhe era útil. Agora tenho toda a intenção de começar a fumar para lembrar-me dele", anunciou a viúva.

Em entrevista ao jornal "Las Ultimas Noticias", o psiquiatra Rolando Chandía disse que a maconha tem efeitos analgésicos que serviram para aliviar as dores de Cogwel e aumentar seu apetite, embora o alucinógeno também provoque baixas nas defesas do organismo.

Além disso, o especialista ressaltou que não há nenhum estudo provando que a maconha pode prolongar a vida de um doente. "Talvez as pessoas morram mais felizes, mas não há nada mais do que isso", disse.

Membros da Corporação Nacional do Câncer disseram que, em uma etapa avançada da doença, a maconha pode ser útil, pois tem um efeito sedativo e relaxante.

EFE
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