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Necessitamos de outra Terra para manter padrão consumo, diz WWF

15 mai 2012
08h54
atualizado às 12h38

A Terra demora um ano e meio para renovar os recursos que a população mundial consome em 12 meses, algo que não é sustentável a longo prazo e que deve ser assumido e modificado pelos chefes de Estado que participarão da conferencia das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20. Assim advertiu nesta terça-feira o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) ao apresentar o "Planeta Vivo 2012", um relatório que faz uma avaliação do estado de nosso mundo, assinala as pressões em que está submetido e detalha as soluções para melhorá-lo.

O texto deste relatório afirma que, entre 1970 e 2008, a biodiversidade no mundo foi reduzida em 30%, sendo que 60% desta perda foi registrada em países muito pouco desenvolvidos. Desde 1966, a demanda de recursos naturais foi duplicada e, atualmente, o mundo demora um ano e meio para renovar o que consumimos em doze meses. De fato, se todos consumissem como um americano seria necessário mais quatro planetas para podermos viver.

"Vivemos como se tivéssemos outro planeta disponível, já que estamos usando 50% a mais de recursos do que o planeta pode oferecer. Temos capacidade de oferecer água, comida e energia aos 9-10 bilhões de pessoas que viverão na Terra em 2050, mas só se todos os governos, empresas e cidadãos mudarmos nosso comportamento", advertiu Jim Leape, diretor-geral da WWF Internacional.

Segundo Leape, essa mudança pode ser iniciada na cúpula Rio+20, que será realizada duas décadas depois da Cúpula da Terra (Rio 92), a primeira grande reunião que tratou sobre a degradação do planeta e como contornar essa tendência. No entanto, o diretor-geral da WWF reconhece que essa tarefa não é fácil. "Este desafio é tão transcendental que não podemos estipular essa mudança somente aos indivíduos. Os governos têm que atuar, e o momento é agora. Não estamos onde deveríamos estar em termos de negociação, mas ainda falta um mês para a cúpula e deveríamos fazer todo esforço para alcançá-la", disse.

Para avaliar o estado do planeta foram usadas duas ferramentas: o "Índice Planeta Vivo", que avalia a saúde dos ecossistemas da Terra, e a "Pegada Ecológica", a demanda e uso dos recursos naturais por parte dos humanos em comparação com a capacidade de renovação dos mesmos.

Os dez países com maior pegada ecológica do mundo são Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Estados Unidos, Bélgica, Austrália, Canadá, Holanda e Irlanda. "Pode nos surpreender ver países como a Dinamarca, tido como um dos ecológicos, estarem em uma posição tão alta. Mas esse fato se justifica ao saber que esta pegada leva em conta as importações e seu custo, que, por sua vez, pode ser muito alto para o meio ambiente", explicou Gemma Cranston, da Rede Global da Pegada Ecológica, co-editora do relatório.

Em média, os países ricos causam cinco vezes mais impactos que os menos desenvolvidos. Mas as maiores taxas de perda de biodiversidade são registradas nos países mais pobres - um fato que, segundo o relatório, prova que os subdesenvolvidos "subsidiam o estilo de vida dos países ricos". Para reduzir o impacto de nosso padrão de consumo temos que reduzir o uso de combustíveis fósseis e substituí-los por energias renováveis, assim como diminuir e melhorar o consumo de água, produzir de maneira mais eficiente, comprar produtos sustentáveis e acabar com os subsídios, sugere a WWF.

EFE   

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