Ciência

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25 de agosto de 2012 • 19h11 • atualizado em 22 de Maio de 2013 às 11h33

Morre Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua

Neil Alden Armstrong foi o primeiro homem a pisar na Lua em missão da Apollo 11 no dia 20 de julho de 1969
Foto: AP

O astronauta americano Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, em 20 de julho de 1969, morreu neste sábado, aos 82 anos, informou sua família. Armstrong foi vítima de complicações após uma cirurgia cardíaca realizada no início de agosto para desobstruir as artérias coronárias.

Lembrado como "um herói americano", sua família destacou que Armstrong "serviu à Nação com orgulho, como piloto da Marinha, piloto de provas e astronauta". "Para todos que querem lhe prestar uma homenagem, temos um simples pedido: honrem seu exemplo de serviço, de sucesso e de modéstia e da próxima vez que caminharem sob uma noite clara e observarem a Lua, sorriam e pensem que Neil Armstrong pisca para vocês", disse a família do astronauta.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que "Neil é, para mim, um dos maiores heróis americanos, e não apenas da atualidade, mas de todos os tempos. Quando ele e seu companheiro de missão decolaram a bordo do Apollo 11, em 1969, levaram as aspirações de uma Nação inteira. Decidiram mostrar ao mundo que o espírito americano vai além do que parece inimaginável, que com suficiente motivação e engenho tudo é possível. E quando Neil colocou pela primeira vez o pé na superfície da Lua nos deu uma conquista humana que jamais será esquecida", disse o presidente.

O candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, disse que agora "a Lua chora por seu primeiro filho da Terra". Segundo Romney, Armstrong "tem um lugar entre os heróis". "Com um valor imensurável e um amor sem limites por seu país, caminhou por onde nenhum outro homem havia antes caminhado". Junto ao astronauta Buzz Aldrin a bordo da nave Apollo 11, Armstrong se tornou o primeiro homem a pisar na Lua, sob o olhar de milhões de telespectadores. Suas palavras "É um pequeno passo para o homem e um salto gigante para a humanidade" entraram para a história.

Como comandante da missão Apollo 11, Armstrong foi o encarregado de informar ao centro de controle de Houston (Texas) o pouso do módulo lunar (LEM) pilotado por Buzz Aldrin: "Houston, aqui a base da Tranquilidade. A águia pousou".

Herói global após seu feito histórico, Armstrong evitava os microfones e as câmeras, e viveu durante os últimos 33 anos longe do público, ao lado de sua segunda mulher, em uma fazenda em Ohio.

"Pensava ser de 90% a possibilidade de voltarmos sãos e salvos à Terra após este voo (Apollo 11), e de apenas 50% a possibilidade de pousarmos na Lua nesta primeira tentativa", revelou Armstrong recentemente. "Um mês antes do lançamento da Apollo 11, havíamos chegado à conclusão de que estávamos suficientemente prontos para tentar (...) descer na superfície" lunar.

Armstrong andou e saltou sobre a superfície da Lua, seguido por Aldrin cerca de 20 minutos depois. Ambos exploraram a zona do pouso por duas horas e meia, onde recolheram 21 quilos de rochas, tiraram fotos e fincaram uma bandeira dos Estados Unidos.

Segundo James Hansen, autor da biografia de Armstrong, Aldrin deveria ter sido o primeiro a pisar na Lua, mas a Nasa optou pelo comandante da Apollo 11 por julgá-lo mais capaz de assumir o peso da celebridade.

A viagem à Lua foi a última aventura espacial de Armstrong, e o comandante abandonou a agência espacial americana em 1971, para ensinar Engenharia Aeroespacial na Universidade de Cincinnati, Ohio, até 1979. Em seguida, Armstrong ocupou o cargo de conselheiro da administração de várias empresas, incluindo Lear Jet e United Airlines. Recentemente, Armstrong rompeu seu habitual silêncio para criticar o presidente Barack Obama ao afirmar que foi mal assessorado ao decidir eliminar o programa que previa a volta à Lua. Obama anunciou em fevereiro o fim do programa Constellation, lançado em 2004 pelo então presidente George W. Bush com o objetivo de voltar à Lua antes de partir para a conquista de Marte.

"Muitos especialistas da comunidade espacial" não sabiam que o Constellation seria abandonado. "Foi, provavelmente, algo tramado por um pequeno grupo em segredo que persuadiu o presidente a rejeitar uma oportunidade única de deixar sua marca em um programa inovador", declarou Armstrong.

Nascido em 5 de agosto de 1930 em Wapakoneta (Ohio), desde jovem Armstrong demonstrou sua paixão por aeronaves, o que o levou a trabalhar no aeroporto próximo a sua casa. Aos 16 anos, obteve o brevê de piloto e, como oficial da Marinha, realizou 78 missões de combate durante a Guerra da Coreia (1950-1953).

Armstrong estudou engenharia aeronáutica na Universidade de Purdue (Indiana) e obteve o mestrado na mesma disciplina na Universidade da Califórnia do Sul. Em 1955, como piloto de provas, testou 50 tipos de aviões, antes de ser convocado pela Nasa para ser astronauta. Em setembro de 1966, participou com David Scott da missão Gemini 8. A cápsula se acoplou a outro veículo no espaço, na primeira união orbital de dois módulos espaciais. Logo chegaria a missão Apollo 11 e a entrada de Neil Armstrong para a história.

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AFP