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Mais de 10% da população mundial é obesa, diz estudo

3 fev 2011
21h58

Mais de 10% da população mundial é obesa, o dobro registrado em 1980, segundo uma série de estudos publicados na última edição da revista médica "The Lancet".

As pesquisas, realizadas com o objetivo de identificar fatores de risco nas doenças coronárias, apontam uma "pandemia de obesidade" como consequência de vários países se adaptarem ao modo de vida ocidental.

Em 2008, mais de 500 milhões de pessoas no mundo todo eram clinicamente obesas, ou seja, tinham um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 30.

A incidência era maior entre o sexo feminino, com 297 milhões de casos de mulheres obesas, frente a 205 milhões de homens obesos.

Isto significa que 9,8% dos homens e 13,8% das mulheres eram obesos em 2008, enquanto eram de 4,8% e 7,9%, respectivamente em 1980.

A maior taxa de obesidade foi registrada nas nações das ilhas do Pacífico, com níveis médios de IMC entre 34% e 45, 70% acima de alguns países do sudeste asiático e da África.

Entre os países ricos, os Estados Unidos ocupam o primeiro posto da lista de obesidade, com um IMC médio de 28, tanto para homens como para mulheres, o que quer dizer, em outras palavras, que ter sobrepeso é hoje a norma nesse país.

"The Lancet" publicou três estudos que analisam de maneira conjunta os níveis globais de obesidade, o colesterol e a pressão sanguínea.

Outra conclusão destacada é que, em contraste com o aumento da obesidade, a proporção da população mundial que tem problemas de hipertensão diminuiu entre 1980 e 2008.

Os países ricos foram os que alcançaram os maiores avanços no controle da hipertensão.

No entanto, a boa notícia esteve acompanhada pela constatação que há países emergentes e pobres que enfrentam problemas que não tinham sido detectados antes.

É o caso das nações do Báltico e dos países do leste e do oeste do continente africano, que registram os níveis de pressão sanguínea mais altos do mundo, igualando aos existentes em algumas partes da Europa Ocidental há três décadas.

O professor Majid Ezzati, da Escola de Saúde Pública do Imperial College de Londres, explicou que estes resultados "demonstram que o sobrepeso e a obesidade, a hipertensão e o colesterol alto já não são problemas ocidentais e problemas exclusivos das nações ricas".

Gretchen Stevens, da Organização Mundial da Saúde, assinalou que já sabiam que as mudanças na dieta e na atividade física contribuíam para o aumento mundial da obesidade, mas comentou que "ainda não sabem ao certo quais seriam as políticas que ajudariam a reduzir a obesidade com maior eficácia".

O doutor Mike Knapton, da British Heart Foundation, qualificou de "assombroso" o crescimento da obesidade nos últimos 30 anos.

"É uma tendência preocupante, mas que pode ser revertida com políticas eficazes e com mudanças no estilo de vida e com a ajuda de importantes avanços na medicina", assinalou Knapton, que ressaltou que a melhora nos níveis de colesterol e de hipertensão nos países desenvolvidos são a prova que há solução.

EFE   
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