Gel pode substituir camisinha para prevenir a aids

10 de fevereiro de 2003 • 16h11 • atualizado às 21h04

Cientistas descobriram um gel que poderá ajudar a impedir o avanço global da aids. Conforme um artigo publicado na revista Nature, um gel contendo anticorpos humanos que previnem a entrada do vírus HIV nas células humanas aparentemente conteve a transmissão do HIV entre macacos. "Estamos encorajados", disse o pesquisador John Moore da Cornell University, de Nova York. Se for comprovada a eficácia do gel, ele poderá substituir o uso da camisinha.

A equipe de Moore usou um anticorpo humano chamado b12. Aplicado duas horas antes do ato sexual, o anticorpo preveniu que 9 de 12 macacas fossem infectadas pela forma do vírus HIV que atinge macacos. Sem o uso do anticorpo, 12 de 13 macacas foram infectadas.

Conforme a revista, o estudo volta a sustentar a idéia de que este ou outros microbicidas podem agir como escudo contra o HIV. "Nos últimos cinco anos, as agências financiadoras começaram a realmente escutar", disse Robin Maguire que lidera o programa microbicida do Conselho Populacional do Centro de Pesquisas Biomédicas de Nova York.

Aplicado em um creme para a vagina ou o ânus, diz a revista, tais agentes químicos podem "salvar a vida de mulheres de países em desenvolvimento que não podem se proteger da traição dos maridos por não exigirem o uso de camisinha dentro do casamento". Conforme a Nature, este problema é parte do grande crescimento da epidemia da aids no mundo, que afeta cerca de 42 milhões de pessoas no mundo.

Pesquisadores estão investigando cerca de 60 outros potenciais microbicidas que formam obstáculos para o HIV de diferentes maneiras. O Conselho Populacional já está coletando um chamado Carraguard. Feito de extratos de algas, o Carraguard quando passado na superfície da vagina cria uma barreira contra infecções. Outros produtos estão sendo testados, como o Buffergel, em lugar de aumentar a acidez para expulsar o vírus.

Mas os cientistas estão cautelosos em relação a armadilhas porque um candidato, o espermicida chamado nonoxynol-9, criado em 2000 devido ao alto crescimento da taxa de HIV. Ele atacava e enfraquecia as células vaginais tanto quanto o vírus.

"Agora é preciso dados clínicos para demonstrar que os microbicidas podem realamente trabalhar", disse Polly Harrison, diretora do Aliança para Desenvolvimento de Microbicidas de Silver Spring, em Maryland (EUA).

Diferente de outros microbicidas, que podem também afetar células saudáveis, o anticorpo especificamente tem como alvo o HIV. "Essa é uma boa e única idéia", disse Maguire.

Uma companhia de San Diego, na Califórnia, espera diminuir os custos de produção do b12 através de sua captação por plantas modificadas geneticamente. Mas Moore admite que outros compostos mais baratos também podem trabalhar para bloquear a entrada viral.

Redação Terra
 
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