Proteína que mata célula cancerígena é descoberta

17 de janeiro de 2003 • 20h21 • atualizado às 20h21

Cientistas norte-americanos conseguiram identificar uma proteína que mata células cancerígenas e também avançaram no esforço de entender o processo molecular da doença. A descoberta foi publicada hoje na revista Molecular Cell.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Washington, em San Louis, nos Estado Unidos, anunciaram a descoberta de que a proteína chamada citidina guanosina (CUGBP2) pode destruir vários tipos de células cancerígenas. Eles explicaram que quando a proteína foi inserida em um cultivo de células cancerosas, 70% dessas células se autodestruíram.

"Isto sugere que há uma etapa importante no desenvolvimento do câncer na qual diminuem as funções do gene responsável pela produção de CUGBP2, o que reduze os níveis de proteína e permite o crescimento do câncer", explicou o chefe da pesquisa, Shrikant Anant, do Centro Oncológico Siteman, da Faculdade de Medicina da universidade.

Os cientistas também descobriram que a CUGBP2 ajuda a regular a produção de ciclooxigenasa-2 (COX-2) que é o principal fator nos casos de artrites.

Nas células cancerosas, os maiores níveis de COX-2 aumentam a produção de prostaglandina, a qual ajuda na coesão celular e põe em funcionamento os genes que participam da geração de vasos capilares que ajudam o rápido crescimento do tumor.

Conforme Anant, "o gene que produz o COX-2 entra em ação muito rapidamente no câncer. Por isso seria necessário investigar se interferir em seu funcionamento pode dirigir a um tratamento efetivo".

Brian Dieckgraefe, professor assistente de medicina na Divisão de Gastroenterologia da universidade, apontou para a possibilidade de que a CUGBP2 seja "a intersecção utilizada pela célula para controlar outras proteínas".

Ele acrescentou que "proteínas como a COX-2 precisam ser reguladas com vigor para impedir seu crescimento descontrolado. Talvez seja por isso que os níveis da proteína CUGBP2 foram consideravelmente menores em cada um dos tumores que estudamos".

Por sua vez, Anant disse que no futuro, poderia ser possível utilizar esta proteína como meio para matar células cancerígenas sem prejudicar as saudáveis.

Em outro estudo, realizado paralelamente, um laboratório da Universidade de San Louis conseguiu um importante avanço que poderia dirigir a uma melhor compreensão molecular do câncer.

A pesquisa mostrou a influência crucial da proteína identificada como Bre1 na determinação da forma com que a proteína Rad6 funciona na modificação cromossomática do DNA.

Conforme Ali Shilatifard, professor de Bioquímica e Biologia molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de San Louis, a descoberta poderia abrir novos campos na investigação do câncer.

"Isto abre a porta para um maior estudo desta proteína no regulamento da expressão genética. Uma vez que compreendamos o funcionamento normal, teremos uma melhor possibilidade de saber onde está ocorrendo algo anormal", disse.

Shilatifard declarou que isto, por sua vez, poderia dirigir a novas formas de bloquear o crescimento e, em última instância, deter o desenvolvimento do câncer. "É preciso ver o câncer, por assim dizer, como um trem de carga descontrolado. Pode haver milhares de formas de detê-lo. Pode-se fazê-lo descarrilar, tirar os parafusos das rodas ou deixá-lo sem combustível. Esta é uma estratégia para detê-lo", disse.

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