"São corpos, que não exibem mumificação artificial, estão reunidos em esteiras de fibra vegetal", explicou Standen, do Museu Arqueológico da Universidade de Tarapacá.
As múmias foram encontradas na antiga superfície de Arica, 1.650 km ao norte de Santiago, a poucos metros da pedra de uma casa que foi demolida para construir um hotel. Este local, situado nas proximidades do Morro de Arica, teria sido utilizado como cemitério sagrado, por sua insuperável vista ao Oceano Pacífico e ao vale de Azapa, disseram os arqueólogos.
O grupo apresenta características de ter sido enterrado numa cerimônia coletiva, típica da cultura Chinchorro que habitou o extremo norte chileno e o sul do Peru, há mais de oito mil anos. Os dois meninos tinham no rosto duas máscaras mortuárias que eram usadas nos rituais fúnebres.
Há quase 20 anos, também em Arica, foi descoberto outro grupo de múmias da cultura Chinchorro, mas com uma data de morte de mais de 8 mil anos, que as transformaram nas mais antigas do planeta, segundo estudos da Universidade de Tarapacá. A antigüidade destes restos, que foram conservados através de métodos artificiais, supera em pelo menos 3 mil anos as múmias egípcias.
Os chinchorros desenvolveram um complexo sistema de mumificação artificial, que na primeira etapa incluia a retirada da pele e das vísceras do cadáver para ser secas ao sol. Depois, o corpo era recheado com cinzas, lã e fribras vegetais e na coluna vertebral era introduzida uma longa vareta para conservar sua rigidez.
Os chinchorros viveram na costa do deserto do Atacama, de llo, no Peru, até Antofagasta, norte do Chile. Eram exímios pescadores e fabricavam ferramentas simples de pesca, como anzóis de conchas e tecidos de malha.
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