Cratera pode dar mais dados sobre água em Marte

06 de maio de 2004 • 21h20 • atualizado às 21h17
O robô está em Marte desde janeiro Foto: Nasa/Divulgação
O robô está em Marte desde janeiro
26 de janeiro de 2004
Foto: Nasa/Divulgação

O explorador Opportunity está pronto para analisar rochas no fundo de uma cratera que poderiam dar mais informação sobre a passada existência de água em Marte. O anúncio foi feito hoje pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, sigla em inglês) da Nasa.

O laboratório, em Pasadena, Califórnia, publicou hoje em seu site de internet uma fotografia panorâmica da cratera em cujos bordas o veículo de seis rodas chegou nos últimos dias depois de seis semanas de deslocamento pela planície marciana.

A cratera, batizada com o nome de "Endurance" (Resistência), se caracteriza por ter no fundo camadas de rochas expostas que são completamente diferentes a qualquer outro tipo analisado desde que se iniciou a missão em janeiro deste ano, disseram cientistas do JPL.

"É a vista mais espetacular que temos recebido da superfície marciana, tanto por seu valor científico como por sua beleza. E tem uma história que nos inclui", disse Steve Squyres, diretor de pesquisas do laboratório em uma entrevista coletiva.

Endurance está cerca de 500 metros da cratera Eagle onde em março o Opportunity encontrou provas geológicas que no remoto passado do planeta nesse lugar houve um mar de água salgada.

A existência de água em Marte também foi confirmada semanas depois pelo Spirit, o veículo gêmeo de Opportunity, que desceu no extremo oposto da superfície marciana nos primeiros dias de janeiro.

Mas fontes do JPL assinalaram que depois de determinar-se que realmente houve água em Marte, os cientistas enfrentam agora a busca de resposta a outra dúvida: que ocorreu em Marte para que a água desaparecesse?

Acrescentaram que por enquanto o Opportunity tratará de determinar se houve grandes volumes de água na cratera e por quanto tempo.

As autoridades científicas da Nasa tinham calculado um período de atividade para os exploradores marcianos de uns 90 dias. Depois desse tempo, os painéis solares deviam ficar cobertos pelo pó marciano, o que impediria a distribuição da energia que necessitam para funcionar.

No entanto, esse período passou e os engenheiros decidiram estender as missões de ambos até o mês de setembro, pelo menos. "Não nos preocupa se têm bastante gasolina no tanque. Isto é como se a missão recém começasse", disse Squyres.

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