"A Nasa tem falado sobre a esterilização química de astronautas em jornadas longas", disse a dra. Armstrong, em uma palestra discutindo os problemas que a humanidade pode encarar ao tentar alcançar os planetas e, eventualmente, as estrelas.
Conforme informações do jornal britânico The Independent, a agência espacial norte-americana não levou a declaração muito a sério. Um porta-voz do Centro Espacial Johnson da Nasa, onde estão sendo planejadas as viagens espaciais de longa-distância anunciadas pelo presidente George W. Bush, disse que não tinha informações de nenhuma pesquisa nesse sentido.
Para muitos cientistas envolvidos com os planejamentos de viagens espaciais, no entanto, o assunto é muito sério. A ponto de terem levantado a suspeita de que a negativa da Nasa seria apenas uma precaução diante de uma sociedade que fica escandalizada quando um acidente acaba revelando o seio de uma cantora em rede nacional durante um jogo de futebol.
Douglas Powell, um professor de psicologia na Universidade de Harvard que foi recrutado em 1999 pela Nasa para investigar as necessidades comportamentais em viagens espaciais de longa duração disse que "como em qualquer lugar, estas são pessoas normais e saudáveis, no seu auge físico, e elas são sexualmente ativas. Então elas irão envolver-se umas com as outras. O que irá acontecer no espaço, então? É uma questão séria e que precisa ser encarada".
Embora, em princípio, seja um caso raro de problema que não envolve limites físicos, estudiosos como o professor Powell estão preocupados com o que pode acontecer com uma tripulação onde alguns membros estão mais felizes que outros. Ele lembrou dos comentários de um cosmonauta russo sobre o tempo em que passou trancado na estação espacial Mir, que disse que "quando você tem duas pessoas presas em um ambiente muito pequeno por meses a fio, todas as condições necessárias para um homicídio são preenchidas". Junto sexo à mistura, e você tem praticamente um roteiro para uma versão espacial de Othello.
A dra. Joanna Wood, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica Espacial da Nasa, diz que o estresse psicológico de uma viagem dessas seria enorme, comparável apenas ao isolamente experimentado por cientistas na Antártida. Mas eles têm o luxo de serem resgatados se necessário. Com uma viagem para Marte, chega um ponto sem volta determinado pelo combustível e pela posição dos planetas. Estima-se que uma viagem duraria seis meses até o planeta vermelho, seguido de uma espera de dois anos até que os planetas voltassem a uma posição adequada para, então, fazer a viagem de volta de mais seis meses.
A Nasa, curiosamente, não tem uma política expressa no que se trata de relações sexuais entre os astronautas em missões espaciais. "Nós dependemos e confiamos no profissionalismo e bom senso de nossos astronautas", disse um porta-voz da Nasa em 2000, quando boatos sugeriam que a agência estaria fazendo experiências sobre o comportamento sexual no espaço. "Não há nada especificamente ou formalmente escrito".
Especialistas em viagens espaciais e estudiosos de relações humanas têm aparecido com várias idéias sobre como evitar ou minimizar o estresse emocional que as necessidades sexuais dos astronautas causariam em uma viagem de três anos. Além da possibilidade de esterilizar os astronautas, ou repetir a prática utilizada na Primeira Guerra Mundial de colocar bromídio no chá dos soldados para diminuir sua volúpia, existem propostas que chegam a parecer engraçadas, como a idéia de só mandar astronautas com mais de 50 anos.
Mas a Nasa insiste que, embora o assunto seja importante, não existe nenhuma pesquisa ou proposta de ação direta de sua parte em relação aos astronautas que, porventura, fizessem parte de tais viagens.
"As relações inter-pessoais são uma grande preocupação, mas nós deixamos toda a coisa sexual à cargo da discrição dos indivíduos", disse a dra. Joanna Wood.
Redação Terra