De acordo com os pesquisadores, uma pessoa tem dois centros de referência temporal no cérebro - um está relacionado às 24 horas do dia, que é o tempo marcado pelo relógio, e o outro a fatores externos, como o dia e a noite. Segundo os cientistas, que publicaram um estudo na revista científica Current Biology, de acordo com informações da BBBC, o jetlag ocorre quando os dois centros não estão sincronizados.
Tratamento
A equipe da Universidade de Washington acredita que é possível desenvolver uma droga para lidar com o problema. "Se descobrirmos como as duas partes do cérebro entram em sincronia, será possível descobrir mecanismos para tratar o jetlag", diz o pesquisador Horacio de la Iglesia.
Acredita-se que uma parte muito pequena do cérebro, chamada núcleo supraquiasmático, controle o sono, os hormônios e a temperatura do corpo. Essa parte também reagiria a fatores externos, como o sol.
No entanto, outras características estariam mais relacionadas aos ciclos de 24 horas, sugerindo a presença de outro centro de referência temporal, que não é afetado por fatores externos.
O estudo examinou ratos que foram expostos a dias e noites artificiais que duravam 11 horas, e não as 12 horas usuais. Os pesquisadores observaram que os ratos começaram a se comportar à noite como se fosse dia.
Os cientistas então examinaram o nível de duas proteínas no cérebro desses animais. Uma delas, Perl, está normalmente presente durante o dia. A outra, Bmall, é mais encontrada durante a noite. Quando os ratos se comportavam normalmente, as proteínas também eram encontradas em níveis normais.
No entanto, quando os animais começavam a exibir comportamento diurno durante a noite, os cientistas descobriram a presença das duas proteínas no cérebro ao mesmo tempo: a Perl era encontrada na metade superior, e a Bmall, na parte inferior.
Sistemas biológicos
A descoberta sugere que a parte inferior do centro de referência temporal do cérebro está mais relacionada aos ciclos de 24 horas, já que ela continuou a produzir a proteína "correta", mesmo sem a presença de luz. O estudo também sugere que a parte superior está mais relacionada a fatores externos.
Segundo Mary Morrell, professora de fisiologia do sono do Instituto Nacional do Coração e do Pulmão em Londres, muitos sistemas biológicos trabalham de acordo com dois centros de referência.
Morrell acredita que a chave para o sucesso de tratamentos mais efetivos seria o desenvolvimento de drogas que tivessem um efeito mais específico no cérebro.
Redação Terra