Descoberta partícula de matéria "inexplicável"

18 de novembro de 2003 • 13h47 • atualizado às 14h14

Cientistas dizem ter descoberto uma partícula subatômica que não pode ser explicada usando as atuais teorias de energia e matéria. A descoberta foi feita por pesquisadores da Organização para Pesquisa de Aceleradores de Alta Energia, em Tsukuba, no Japão.

Chamada de X(3872), a partícula foi vista por apenas um momento em um acelerador de partículas. Desde então, a partícula vem sendo chamada de "méson misterioso". Segundo a equipe japonesa, para compreender a existência dessa nova partícula, poderá ser necessária uma mudança no Modelo Padrão (da Cosmologia), a teoria mais aceita que explica a forma como o Universo é constituído.

Eternidade
X(3872) foi encontrada entre os subprodutos, ou restos, dos chamados "belos mésons", partículas subatômicas que são produzidas em grandes números na "fábrica de mésons", em Tsukuba. O peso da nova partícula é quase o mesmo que o de um único átomo de hélio e sua existência dura apenas um bilionésimo de trilionésimo de segundo antes de se transformar em outra partícula mais estável e comum.

Apesar de ter uma vida muito curta para padrões humanos, cientistas afirmam que um bilionésimo de trilionésimo de segundo é quase uma eternidade para uma partícula subatômica desse peso.

Partículas menores que um átomo são agrupadas em famílias, de acordo com sua massa, órbita ou carga elétrica. Mas a X(3872) é diferente, não se encaixa facilmente em nenhum esquema conhecido de partículas e, como resultado, atraiu atenção considerável da comunidade de físicos do mundo.

Novos pares
A descoberta de Tsukuba foi recentemente confirmada por pesquisadores no Laboratório Nacional de Acelerador de Partículas Fermi, em Illinois, Estados Unidos. Nesse laboratório está o Tevatron, o maior acelerador de partículas do mundo. Foi o laboratório americano que deu à partícula seu "nome misterioso".

Um méson normal é formado por um quark e um antiquark, que são mantidos juntos por uma energia "colorida", também chamada energia "forte", pois é a energia mais poderosa conhecida. A grande variedade de partículas de mésons que foram encontradas até agora refletem as muitas combinações diferentes que podem existir.

Entretanto, a X(3872) não se encaixa em nenhuma teoria ou nenhuma combinação de quarks e antiquarks. Para explicar isso, físicos tentaram modificar sua teoria de energia "colorida"; ou fazer da X(3872) o primeiro exemplo de um novo tipo de méson, feito de dois quarks e dois antiquarks.

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